Covid-19: especialista alerta para a importância de tomar a segunda dose da vacina

Tão importante quanto a primeira, tomar a segunda dose da vacina contra a covid-19 mostra-se extremamente necessária não somente para o controle da circulação do Sars-CoV-2 no país, mas para evitar complicações causadas pelo vírus em comparação com as pessoas que receberam as duas doses e concluíram seus esquemas vacinais.

E a ausência de parte da população para tomar a segunda dose da vacina contra o coronavírus, mesmo que em sua minoria, tem gerado preocupação entre autoridades sanitárias do Brasil e no mundo.

No sentido de reforçar a importância da população procurar as unidades de saúde e demais pontos de vacinação da capital para tomar a segunda dose da vacina, a médica infectologista da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Fabrízia Tavares, explica a importância do imunizante.

De forma categórica, ela afirma que a imunidade contra o coronavírus só fica completa após a aplicação da segunda dose.

“Para termos proteção contra o vírus são necessárias as duas doses. Todo teste formulado para qualquer tipo de vacina só é concluído, obviamente, quando obedece às fases. Dentro dessas fases, principalmente, na elaboração da vacinação e na verificação da eficácia na população estudada na terceira fase. Eles verificam a questão da necessidade de uma segunda ou terceira dose, a depender da vacina, para fechar o sistema vacinal e chegar à conclusão de eficácia. Então, em relação à vacina da covid-19, os estudos mostraram que, para se conseguir eficácia satisfatória, para manter uma imunidade um pouco mais duradoura, constatou-se que precisa de duas doses”, assevera Fabrízia.

Essa segunda, reitera a infectologista, é como se fosse uma reafirmação da primeira dose para que se mantenham níveis de anticorpos e níveis de imunidade celular suficientes para que proteja o indivíduo por um tempo mais prolongado e efetivo.

“O indivíduo, tomando uma dose apenas, a gente considera como não imunizado. As pessoas não se enganem que, com apenas uma dose, estão imunizadas, mas não estão imunizadas. Algumas vacinas como AstreZeneca e Pfzer têm mais de 70% da eficácia e a gente sabe que essa imunidade pós primeira dose não é garantida por muito tempo”, diz a médica.

Em Aracaju, a campanha de imunização utiliza as vacinas CoronaVac, AstraZeneca e Pfizer, as quais precisam de reforço. Conforme o Ministério da Saúde (SMS), quem foi vacinado com a CoronaVac, do Instituto Butantan, deve tomar a segunda dose no intervalo de 21 a 28 dias depois da primeira dose. Quem recebeu a AstraZeneca, da FioCruz, deve ser imunizado com a segunda dose após 90 dias da primeira, bem como a da Pfizer.

“A gente só considera uma cobertura vacinal, ou seja, quando a maior parte da população, no mínimo de 70%, é vacinada. A gente só considera uma pessoa protegida quando ela tem as duas doses. Só consideramos cobertura vacinal satisfatória, ou seja, proteção populacional boa, minimizando os óbitos e quadros graves, dessaturando as unidades de saúde, só consegue essa cobertura quando os indivíduos tomam a segunda dose”, frisa.

Implicações
A não aplicação, segundo o MS, pode favorecer versões mais resistentes do coronavírus, já que uma variante supostamente mais potente do vírus poderia não resistir em um corpo que recebeu duas doses, mas se proliferar em outro que só tomou uma, podendo provocar uma nova onda de contaminações. Para evitar esse cenário, a médica recomenda, além da vacinação completa, a manutenção dos cuidados relativos aos protocolos de biossegurança.

“É importante que os cuidados sejam mantidos após a vacinação, porque a gente sabe que a vacinação é eficaz na minimização dos quadros, ou seja, após infectado, o risco de internação é reduzido. Contudo, ele não é eficaz para o que a gente chama de esterilização, ou seja, os estudos não conseguiram demonstrar que a vacina impedisse a transmissão. Enquanto não tivermos a maior parte da população vacinada, o risco é altíssimo de transmissão. É importante também que a gente mantenha os cuidados ainda mais pensando na circulação de variantes da doença”, conclui.

Vacinação
A imunização em Aracaju segue em ritmo acelerado. Até esta terça-feira (7), a SMS vacinou 170.468 pessoas, o que representa 25,63% da população. Esta semana, a campanha contempla pessoas com idades entre 57 e 54 anos e professores dos Ensinos Fundamental e Médio, além dos demais públicos que estão sendo vacinados com a primeira e segunda dose.

Confira a seguir o novo calendário de imunização:

População em geral
Segunda-feira, 7: 57 anos, nascidos entre janeiro e junho;
Terça-feira, 8: 57 anos, nascidos entre julho e dezembro;
Quarta-feira, 9: 56 anos, nascidos entre janeiro e junho;
Quinta-feira, 10: 56 anos, nascidos entre julho e dezembro;
Sexta-feira, 11: 55 anos
Sábado, 12: 54 anos, nascidos entre janeiro e junho;
Domingo, 13: 54 anos, nascidos entre julho e dezembro.

Trabalhadores da educação
De segunda-feira, 7, a quarta-feira, 9: educadores do 3º ao 9º ano do Ensino Fundamental;
De quinta-feira, 10, a domingo, 13: educadores do Ensino Médio.

Para se vacinar, os educadores precisam se cadastrar no portal VacinAju, anexando documentação que comprove o vínculo com a unidade de ensino na qual atuam.

Locais de vacinação
Para evitar aglomerações e disponibilizar a vacina em todas as regiões da capital, a Prefeitura montou um esquema com pontos de vacinação no drive-thru no Parque da Sementeira, das 8h às 17h, onde é exigido o código de autorização emitido após cadastro no portal VacinAju; e em quatro pontos de apoio, que funcionam das 8h às 16h: Colégio CCPA (Grageru), Centro Educacional Futuro Feliz (18 do Forte), Estação Cidadania (Bugio) e Auditório Antônio Vieira Neto (Siqueira Campos) – neste último também é exigida a apresentação do código gerado no VacinAju.

Além desses pontos, a vacinação ocorrerá em 14 Unidades Básicas de Saúde (UBSs): Edézio Vieira de Melo (Siqueira Campos), Oswaldo de Souza (Getúlio Vargas), Santa Terezinha (Zona de Expansão), Marx de Carvalho (Ponto Novo), Cândida Alves (Rua São João), Adel Nunes (América), Roberto Paixão (17 de Março), Amélia Leite (Suíssa), Celso Daniel (Santa Maria), Augusto Franco (Farolândia), João de Oliveira Sobral (Santos Dumont), Hugo Gurgel (Coroa do Meio), Manoel de Souza Pereira (Jabotiana) e Anália Pina (Almirante Tamandaré).

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