Saudável, merenda das escolas municipais dispõe de produtos da agricultura familiar

Além do lanche convencional, ofertado por uma empresa terceirizada, a Prefeitura de Aracaju utiliza produtos oriundos da agricultura familiar para incrementar a merenda escolar e fomentar a produção de cooperativas e famílias que vivem dessa atividade.  De acordo com Joice Barbosa, nutricionista e coordenadora de Alimentação Escolar da Secretaria Municipal de Educação de Aracaju (Semed), os produtos da agricultura familiar entram como um lanche extra, um adicional ao que o Ministério da Educação exige e que administração já cumpre. “É um incremento, porque a gente entende que os alunos podem ter mais do que está previsto na resolução, podem ter além do mínimo nutricional que precisa ser ofertado”, justifica Joice, que cuida de toda a parte da alimentação das escolas do município, inclusive das instituições filantrópicas que também atuam nos programas educacionais.  Segundo Joice, esse incremento acaba fazendo toda a diferença, pois há alunos de condição social preocupante, que, por vezes, saem de casa sem tomar café da manhã. “E esses lanches são ofertados ou na entrada ou na saída da escola, ou em ambos os horários”, diz Joice. Isso ocorre em todas as 76 escolas da rede.  Segundo a coordenadora, os produtos adicionais são frutas (banana, tangerina, goiaba ae melancia), bebida láctea (iogurte), pão de macaxeira, bolinho de batata doce e bolinho de laranja. Para as entidades filantrópicas, a Prefeitura acrescenta verduras, feijão, carne. “Tudo que as cooperativas conseguem fornecer”, ressalta Joice.  Todo esse processo começa exatamente nessa época de fim de ano, quando a Coordenação de Alimentação Escolar inicia o planejamento da alimentação para o ano seguinte. “A Coordenação faz um projeto, com a especificação da quantidade de cada item, e é feita uma chamada pública, um processo licitatório. Nesse processo, cada cooperativa pega o produto que lhe cabe da lista solicitada e lança os preços”, explica a coordenadora. Agora, em 2019, 11 cooperativas estão fornecendo alimentação para Aracaju. Com elas, a Prefeitura investe algo em torno de R$ 120 mil por semana. O investimento, segundo Joice, vale muito a pena. “Porque a gente pensa na questão social, já que tem alunos de condição razoável, com boa alimentação em casa, mas também os que vão para a escola visando o lanche”, reitera. Para além disso, Joice afirma que há a questão da utilização da energia pelo organismo. “E isso reflete diretamente no aprendizado e nas outras tarefas desenvolvidas, como a atividade física e a socialização”, esclarece. A coordenadora acrescenta que esse investimento da Prefeitura também ajuda a fortalecer o homem do campo.  “É uma forma de dar renda para o homem do campo, fomentando a sustentabilidade, já que muitos dos produtos vêm de assentamentos de reforma agrária”, ressalta. De acordo com Joice, existe uma Comissão de Agricultura Familiar na própria Secretaria. A equipe, inclusive, fez visitas às cooperativas que venceram a chamada pública, a fim de atestar a qualidade dos materiais.  Para custear a prestação do serviço, a Prefeitura utiliza recursos próprios e também recursos federais, através do repasse do Ministério da Educação. Com o investimento, 15 entidades filantrópicas recebem os alimentos, sem qualquer diferenciação das escolas da rede. Ou seja, mesmo que o valor repassado pelo Ministério não seja suficiente, a Prefeitura complementa e envia os alimentos.  “Por exemplo, o Ministério envia R$0,36 para um lanche, mas um bolinho custa R$1,00, então a gente manda assim mesmo. A gente trata o aluno das filantrópicas como um aluno da rede”, reitera a coordenadora. Segundo Joice, a Prefeitura de Aracaju tem interesse em ampliar ainda mais a participação da agricultura familiar na merenda escolar. “Para isso, é preciso formalizar mais cooperativas para que tenhamos mais produtos”, destaca. 

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