Sergipe terá novos equipamentos para previsão do tempo

Instalação de radar e de 12 novas estações de monitoramento da seca já está sendo providenciada. (Foto: Agência Sergipe de Notícias)
Instalação de radar e de 12 novas estações de monitoramento da seca já está sendo providenciada. (Foto: Agência Sergipe de Notícias)

O Centro Meteorológico de Sergipe poderá realizar previsões em tempo real. Isso será possível após instalação de um novo radar, que já se encontra no estado. Aliado a isso, 12 novas estações de monitoramento da seca, providenciadas pela Agencia Nacional de Água, estão para ser implantadas. As novas aquisições demonstram o interesse do Governo do Estado em modernizar e tornar o serviço de verificação mais preciso.

“A instalação do radar metrológico é meu sonho, pois a previsão será imediata, em tempo real. Já temos uma previsão de modelagem de cinco dias, mas o radar faz praticamente o monitoramento de como o evento está acontecendo, a direção, que região vai atingir, o horário etc. Com ele, vamos fortalecer mais a previsão e teremos uma probabilidade maior de acerto e controle dos eventos” disse Overlan Amaral.

Além de prever chuvas, a sala de situação do Centro Meteorológico verifica o volume de rios e barragens em Sergipe. “O espaço é composto de uma rede de monitoramento hidrológico, que inspeciona a elevação dos níveis dos rios em tempo real. Conjuntamente, temos os modelos meteorológicos que nos indicam com cinco dias de antecedência ou mais o provável volume de chuva”, informou o meteorologista.

Ainda de acordo com o profissional, qualquer previsão acima de 50 mm³ provoca enchentes e por isso é emitido um alerta a Defesa Civil. As barragens monitoradas no estado são as do rio Poxim, Jacarecica I e II, Dionísio Machado, Três Barras e das Pedras. Além da vazão, o programa de monitoramento do centro verifica o nível das barragens. “Estamos buscando mais pontos de monitoramento. Com as estações nas barragens, temos como prever se haverá inundação ou não, e se é necessária a emissão de boletins informativos”, relatou Overland.

Com relação aos satélites utilizados para previsão do tempo, o modelo implantado em Sergipe é licenciado e linkado ao Centro Europeu de Meteorologia, Meosat. “Temos uma série de imagens de meia em meia hora, de 15 em 15 minutos, e ainda acesso a frequências de ondas eletromagnéticas como infravermelho, imagens em vapor, no visível e realçadas. Todas dando uma característica específica da nebulosidade, circulação da atmosfera e um índice que verifica a vida da vegetação pela qualidade da água. É um verdadeiro retrato do clima pela vegetação. As representações nos auxiliam mostrando a localização das ocorrências em uma boa escala para o estado.”, fala Overland.

El Niño

Sergipe sofre diretamente com o fenômeno climático El Niño, que se instala principalmente no Peru e Equador. Mesmo sendo um evento oceânico que ocorre no Pacífico, ele é capaz de mudar a rotação dos alísios, bloqueando assim a entrada das chuvas no estado. Através de dados sobre o fenômeno, o setor agrícola pode programar seu plantio.

“Quando o El Niño é instalado, há um aquecimento das águas que geralmente são frias. Ele é tão forte, que inverte a situação dos ventos que vêm alísios de sudeste e nordeste, passando a vir do oeste. Então no ponto ao longo da Linha do Equador há uma convergência muito grande, passando a chover bastante e havendo circulações verticais, convectivas. Todo esse fenômeno faz descer um ar quente e seco sobre o Nordeste, bloqueando, inclusive, o sistema de chuvas, causando seca na nossa região;”, ensina o meteorologista.

Vandalismo

Um dos problemas enfrentados pelo Estado na manutenção das estações e realização do serviço de previsão é os ataques de vandalismo, que causam prejuízos tanto à população, quanto ao Estado, que desembolsa em torno de R$ 70 mil para aquisição de cada radar implantado.

“As estações sempre ficam próximas aos rios, que são os locais mais apropriados para instalação do sensor de nível. Apesar de o equipamento estar em uma torre de seis metros de altura, há uma conexão entre o sensor e a estação que fica na margem”, relatou Overland Amaral.

Ainda sobre os ataques, o meteorologista explica que, em relação às barragens, há como calcular o nível da água, pois somente após 24h do volume cair, o solo escoa a água, fazendo o nível subir.

Secretaria de Estado da Comunicação Social
Governo de Sergipe

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