Novo parque eólico pode ser instalado em Sergipe

Projeto prevê que o Parque Eólico Palmas dos Ventos seja implantado em área localizada nos municípios de Tobias Barreto, Simão Dias e Riachão do Dantas. O investimento é de R$ 2 bilhões e tem potencial energético 15 vezes maior que o da Barra

A Sowitec, empresa que configura entre as mais importantes desenvolvedoras de projetos no setor de energia eólica internacional, pretende investir mais de R$ 2 bilhões na implantação de um novo parque eólico em Sergipe. Para apresentar o projeto e solicitar apoio à iniciativa, o diretor da filial brasileira e membro do Conselho de Administração da empresa, Thomas Schulthess, reuniu-se na manhã desta quinta-feira, 25, com o governador Jackson Barreto e equipe do governo. A reunião foi realizada no Palácio de Veraneio.

De acordo com o projeto, denominando Parque Eólico Palmas dos Ventos, a implantação se dará em área localizada nos municípios de Tobias Barreto, Simão Dias e Riachão do Dantas. O projeto prevê também o aproveitamento da linha de transmissão, já existente, em Itabaianinha.

“Estou extremamente satisfeito com esse novo projeto, porque, assim, desenvolvermos o estado dentro de uma visão muita moderna, que são os investimento em energia renováveis. Esse projeto de energias renováveis é muito importante, é mais um parque eólico para o estado, em uma região que foi amplamente estudada e analisada para garantir a viabilidade da iniciativa”, disse o governador.

A Sowitec avalia que o cluster (agrupamento) eólico tem um potencial energético de 501 MW, o que equivale a quase 15 vezes o potencial do Parque Eólico Barra dos Coqueiros, que tem capacidade instalada de 34,5 MW.

A empresa pretende apresentar o projeto nos leilões de energia que serão realizados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) no segundo trimestre de 2016. Para participação no leilão faz-se necessária a realização de Relatório Ambiental Simplificado, ora em andamento, e a regularização fundiária total dos imóveis onde será implantado o projeto, em sua maioria, pequenas e médias propriedades utilizadas na pecuária e na agricultura familiar. A regularização das mais de 100 propriedades também está em andamento.

“Para um projeto eólico precisamos de três coisas: vento, espaço e rede elétrica para injetar essa energia produzida. Achamos, então, o conjunto desses três elementos aqui, em Sergipe. Há mais de quatro anos que estamos trabalhando no local, principalmente assinando contratos de arrendamento com os proprietários das terras, onde as turbinas serão instaladas, e medindo os recursos eólicos. A próxima etapa é a participação no leilão federal de energia eólica, que vai acontecer no final do ano. Temos um bom e competitivo projeto e uma boa parceria com o Estado, o que facilita, então, vai dar certo. E se não der certo esse ano, vai ter outros leilões nos próximos anos, mas o projeto é bom e vai vencer”, explica Schulthess.

Jackson Barreto também se mostrou confiante para aprovação do projeto. “A Sowitec nos mostrou que está preparada para enfrentar o leilão, que ocorrerá em novembro deste ano. Estamos preparados para a implantação desse parque eólico nessa região. Esses parques melhoram a qualidade de vida no estado, na região, promove modernidade e traz condições para melhorar a vida de quem vive naquelas localidades. Sergipe passa a viver um momento novo”.

Os R$ 2 bilhões em investimentos serão aplicados nas três fases do projeto, em um período de  cinco anos. Estima-se que nesse mesmo período, na fase de construção, o projeto gerará 400 empregos diretos e 50 na fase de operação.

“Uma vez que se vence o leilão se faz o financiamento do projeto, começa a construção e em três ou quatro anos as turbinas começarão a produzir energia. Então, em 2017 ou 2018 já iniciaríamos a implantação e depois de três anos, entre 2020 e 2021, já começaríamos a produzir”, afirma Schulthess.

Para o secretário executivo da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia (Sedetec), Carlos Augusto Franco, o projeto de geração de energia eólica Palmas dos Ventos condiz com o direcionamento do Governo em relação às políticas de desenvolvimento, que visa desenvolver o estado como um todo. “O governo tem ajudado, procurando agilizar todos os processos burocráticos e colaborar com a empresa no sentido de acelerar a regularização fundiária. Nesse momento, por exemplo, a Emdagro negocia com a empresa uma forma de fazer esse trabalho de forma mais eficiente. Algo muito importante é que a empresa está colocando seus aerogeradores no regime de arrendamento. Assim, além dos empregos gerados vai haver uma grande renda adicional, pois cada aerogerador que ela coloca ela paga uma espécie de aluguel, ou seja, pelo arrendamento, pela área onde o aerogerador vai ser instalado. Isso vai ser renda, que vai ser distribuída na região. A gente calcula que com o projeto todo pronto, pode chegar a quase R$ 4 milhões por ano de arrendamento, sendo pago naquela região para pequenos e médios proprietários de terra”.

Segundo Carlos Augusto Franco, a Sowitec ainda sinalizou que é prática empresa dar preferência a contratação de mão de obra local, estimulando até a capacitação da população da região.

Sowitec

A Sowitec desenvolve projetos no setor da energia eólica internacional. A empresa foi fundada em 1993 na Alemanha, onde já realizou mais de 30 projetos. Internacionalizou-se em 2003 e hoje tem filiais no Brasil, Argentina, Chile, México, Peru, Uruguai, Colômbia, Rússia, Cazaquistão, Arábia Saudita e Tailândia. A empresa mantém mais de 60 projetos, operando com uma capacidade instalada bruta de 12 GW.

A Sowitec atua em todas as áreas de desenvolvimento de energia eólica: planejamento e projeto, gerenciamento de construção, vendas e gestão técnica e comercial. No Brasil a Sowitec atua na Bahia (Parque Eólico Curva dos Ventos – 56,4 MW; Parque Eólico Cristal – 89,7 MW), Pernambuco (Parque Eólico Fonte dos Ventos – 78,2 MW) e Rio Grande do Norte (Parque Eólico Rei dos Ventos – 68,5 MW). O Parque Eólico Palmas dos Ventos tem potencial de geração superior aos já instalados.

Thomas Schulthess

Thomas Schulthess é formado em engenharia para manipulação e tecnologia termodinâmica. Após a universidade, em 1984, começou a carreira como engenheiro de projetos na BOREL, principal fabricante de estações de tratamento de calor robotizadas. A partir de 1987, ele passou quase uma década na Philip Morris Internacional, onde trabalhou na gestão de atividades como implementações de fábrica de produção, monitoramento de compra de matéria-prima e otimização do processamento.

Já no setor de energia, assumiu a direção da atividade de LPG para a Suíça. De 96 em diante, Thomas esteve envolvido em vários projetos start-ups de novas tecnologias de geração (microchip, turbinas eólicas e turbinas hidráulicas) e propulsão de energia (carro elétrico, metrô e barco). O interesse pela energia eólica surgiu em 2002, como co-fundador na França da Eoltec.

Thomas Schulthess iniciou na Sowitec em 2006, na França. Em seguida, passou a vice-diretor da Sowitec quando deu início à estratégia de implantação da empresa na América Latina, criando, em 02 anos, 06 afiliadas (Uruguai, Brasil, Chile, Argentina, Peru e México). Atualmente é diretor da filial brasileira e cuida do setor de vendas e investimentos da América Latina.

Presenças

Participaram do encontro o vice-governador, Belivaldo Chagas; os secretários de Estado de Planejamento, João Augusto Gama, da Fazenda, Jeferson Passos; os assessores especiais do Governo, Ricardo Lacerda, Carlos Cauê e Oliveira Júnior e o presidente da Adema, Almeida Lima, também participaram da reunião. Assim como, o gerente de Contas Júnior do Departamento Comercial da Sowitec, Elvis Pitanga.

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