Governo já executou 70% do esgotamento sanitário de Nossa Senhora das Dores

Primeira etapa da obra, que integra o Programa Águas de Sergipe, vai proporcionar mais saúde e preservação ambiental para os dorenses

A cidade de Nossa Senhora das Dores possui uma população estimada em 26.434 mil habitantes (IBGE/16) que ainda utiliza mecanismos arcaicos de coleta de esgoto. Esta realidade será transformada em breve, pois 70% da primeira etapa do Sistema de Esgotamento Sanitário já foi executada pelo Governo de Sergipe, que pretende finalizar o serviço até julho de 2017. A primeira fase vai abranger 80% da área urbana da cidade com um investimento superior a R$ 24 milhões.

A Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso) é a responsável pela obra que integra o Programa Águas de Sergipe e tem como objetivo promover o uso eficiente e sustentável da água na Bacia Hidrográfica do Rio Sergipe. Coordenado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh), além da Deso, o programa conta com a participação também da Cohidro, Emdagro e Secretaria de Estado da Saúde. Com investimentos do Banco Mundial, o programa prevê o aporte de U$ 70 milhões, que correspondem a R$ 242,9 milhões em mais de 80 ações em diversas cidades sergipanas.

Segundo o técnico fiscal da Deso, Gladstone Dantas, ainda é possível verificar nas ruas a ‘água servida’, ou seja, depois de utilizada domesticamente, sendo descartada a céu aberto. “Isso ocorre porque hoje as casas possuem fossas do tipo sumidouros, com unidades particulares que são estruturas de concreto onde se armazena o esgoto e que precisam ser esvaziada de tempos em tempos, geralmente com carros-pipa que usam bombas de sucção, para que ela possa continuar sendo utilizada. Existem ainda algumas pessoas que despejam a água servida diretamente na rua e pode ser que tenha algum caso que seja distribuído na drenagem”, explicou.

Aliada à obra, a Companhia desenvolve a Educação Ambiental da população, por meio de palestras e reuniões promovidas para explicar os benefícios da rede. Esse trabalho socioambiental é feito periodicamente na cidade. Para o instrutor de trânsito Mário Feitosa o ganho é inegável. “Com certeza é muito bom para a cidade, mais melhorar a situação realmente do município. Essa rua inclusive é toda cheia de esgoto a céu aberto e depois da obra com certeza vai ajudar a acabar com isso”, acredita.

Mais saúde

Os benefícios obtidos com o processo de coleta e tratamento de esgoto, além da preservação dos mananciais da região, trarão ganhos diretos à saúde da população dorense. O médico sanitarista Marco Aurélio Góes explica que, em muitos países, o avanço na qualidade de saúde da população está mais diretamente relacionado à qualidade do saneamento do que dos serviços médicos, inclusive permitindo abolir algumas doenças infecciosas transmitidas por germes e parasitoses que ainda existem no Brasil.

“A diminuição do contato do homem com o chão e a água contaminados vai impedir, por exemplo, as infecções intestinais por verminoses e parasitoses, que são razões para a população não ficar bem nutrida e facilitar o adoecimento. Nas crianças, tais contaminações interferem inclusive no rendimento escolar. O saneamento básico está diretamente relacionado com a qualidade de vida de uma forma mais ampla, além de ser fundamental par a saúde física, tem também todo um componente psicossocial de estar num ambiente limpo”, destacou o médico.

A secretária Sueli de Jesus reconhece a relevância dos serviços. “A obra é necessária e tem beneficiado a cidade, é um direito que todo cidadão tem de saneamento básico. É importante, tem que ser feito até porque é a nossa saúde que está em risco”, opinou a moradora.

A obra

A primeira etapa da obra, atualmente em execução, envolve a construção das redes coletoras de duas estações elevatórias e a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), abrangendo a parte central da cidade que corresponde à área mais populosa de Nossa Senhora das Dores. A ordem de serviço da obra foi assinada pelo governador Jackson Barreto em maio de 2015 e o serviço vai atender 80% da população urbana, com cerca de 4.500 ligações internas, beneficiando mais de 20 mil pessoas.

Após a finalização do sistema de esgotamento, a água devolvida à natureza terá o nível de tratamento próximo a 100%, preservando o Rio Siriri Morto e o açude da cidade. Estima-se que mais de 46 litros por segundo de esgoto deixem de ser jogados in natura no ambiente. Trata-se de um tratamento de esgoto moderno, que conta com tecnologias como a ultravioleta, que possibilita a realização de filtragem e refino da água, para que ela seja despejada posteriormente no rio, e que são utilizadas em poucos lugares no Brasil.

O saneamento ambiental executado pelo Governo do Estado abrange aspectos que vão além do saneamento básico. Ele engloba o abastecimento de água potável, a coleta, o tratamento e a disposição final dos esgotos e dos resíduos sólidos e gasosos. Merece destaque a implantação de um cinturão verde, que corresponde a área de reflorestamento de plantas nativas, contribuindo para a manutenção do ecossistema da região. Segundo o técnico Glasdstone Dantas, em Dores são três frentes de trabalho, em diferentes locais, com uma média de dez trabalhadores em cada, desempenhando diferentes funções.

Itabaiana e Lagarto

Na principal cidade do agreste sergipano, Itabaiana, as obras de esgotamento sanitário e drenagem estão em sua primeira etapa com mais de 75% das intervenções realizadas. Em Itabaiana, as obras realizadas pelo Governo do Estado, por meio do programa Águas de Sergipe, possuem investimento superior a R$ 67 milhões e darão cobertura de quase 100% para a cidade. Além de evitar inundações na sede da cidade, o serviço vai tratar o esgoto e permitir a despoluição do açude da Marcela, que atende a região. A previsão de conclusão é primeiro semestre de 2017.

A segunda etapa da obra está orçada em R$ 45 milhões, e a licitação encontra-se em processo de aprovação pelo Banco Mundial. Nessa fase final, será separado esgoto de drenagem, além da construção de uma galeria para que a água de chuva seja levada para o açude da Marcela de forma limpa, e toda a rede de esgoto na cidade de Itabaiana siga para estação de tratamento.

Já em Lagarto, a terceira cidade mais populosa de Sergipe, o governo está investindo R$ 95 milhões emesgotamento, recursos oriundos de financiamento entre Governo do Estado, Deso, Governo Federal e Caixa Econômica Federal. O empreendimento vai permitir a coleta, transporte e tratamento de esgoto em todo o município, beneficiando 106 mil moradores. Até 2017, o município terá 100% de cobertura de esgotamento sanitário, segundo previsão da Companhia de Saneamento. A conclusão da obra está prevista para outubro de 2017. Dos 160 km de rede de coleta, 37% foram executados e a nova estação de tratamento deve ser concluída antes do prazo, entrando em operação a partir de março de 2017.

Águas de Sergipe

O Estado de Sergipe firmou um empréstimo com o Banco Mundial (BIRD), no valor de US$ 70.275.000,00 para financiamento das ações e atividades do Programa Águas de Sergipe, para melhorar as práticas de manejo de solo e melhoria da qualidade da água. A Unidade Técnica de Administração coordena o Programa, que é dividido em quatro componentes: Gestão integrada de Recursos Hídricos e desenvolvimento institucional; Água para irrigação; Águas para cidades e Saúde.

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