Deputados divergem sobre orientações a respeito do isolamento social

Em nova sessão remota por conta da pandemia do novo coronavírus (COVID-19), os deputados estaduais sergipanos voltaram a se reunir, em ambiente virtual, nessa terça-feira (9), quando divergiram muito sobre as orientações de isolamento social impostas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e autoridades sanitárias do País e do Nordeste. Inclusive este será um dos principais questionamentos a ser feito pelos parlamentares durante a oitiva da Secretária de Estado da Saúde, em exercício, que nesta quarta (10) abordará a respeito das ações do Estado de prevenção e enfrentamento ao vírus.

O primeiro a se manifestar foi o deputado estadual Rodrigo Valadares (PTB). “A OMS está mais perdida do que cego em tiroteio nessa pandemia. Logo eles que estão ditando uma política global para o enfrentamento, mas há poucos dias se desculparam porque disseram que o tratamento com cloroquina não tinha eficácia e depois retiraram esse estudo por conta de uma série de inconsistências médicas”.

Em seguida, o deputado pontuou que a diretora da OMS teria falado que os pacientes assintomáticos muito raramente transmitem o vírus. “Temos famílias integradas nesse isolamento social forte e não temos nem uma solução para o número de mortes e nem para a retomada da economia. A saúde mental das pessoas está se deteriorando, eu confio na ciência, mas é preciso que eles cheguem a um consenso. Não existir essa briga política em que transformaram a doença!”.

Iran Barbosa

Por sua vez, o deputado Iran Barbosa (PT) foi de encontro ao colega, pontuando que é preciso ser cauteloso e que não se pode cobrar os cientistas a segurança 100% sobre a COVID-19. “Agora eles devem ser ouvidos porque são os melhores para nos orientarem. Eu continuo preferindo ouvir a voz de pesquisadores e médicos, a ouvir certos conselhos dados por quem demonstra ter desprezo pela vida”.

Iran também colocou que não se pode querer descaracterizar a política, porque todos os posicionamentos, inclusive dos deputados, são politizados, mas que é preciso separar as questões de natureza científica e médica das disputas eleitorais. “Quem não concorda com as recomendações científicas do Consórcio Nordeste, pode buscar conhecer um estudo elaborado pela UFS (Universidade Federal de Sergipe) sob o risco de colapso no nosso sistema de saúde que está para ocorrer por uma série de questões e uma delas é o baixo índice de isolamento social”.

Maísa Mitidieri

A deputada Maísa Mitidieri (PSD) acompanhou o raciocínio de Iran Barbosa dizendo que sempre vão existir divergências nos estudos e que eles serão aprimorados até que se chegue a um consenso. “Os estudos revelam que estão tentando acertar, infelizmente o isolamento social tá muito baixo e talvez isso esteja contribuindo para que não se melhore e até acabe se agravando essa doença”, destacou, enaltecendo o trabalho do governador e do prefeito de Aracaju nessa pandemia.

Goretti Reis

A deputada estadual Goretti Reis (MDB) reconhece a inconsistência dos dados divulgados, mas entende que o coronavírus é uma doença nova e que necessita de investimentos altos. “Fica a insegurança de que tratamento fazer, se usa a cloroquina ou não, se usa azitromicina ou não. A gente ainda não tem segurança e tudo isso está sendo aprofundado”.

Capitão Samuel

O deputado estadual Capitão Samuel (PSC) divergiu dos colegas, dizendo que a “grande mídia” do País está insatisfeita porque não está mais “mamando nas tetas” do governo federal. “Estão sem o suporte do dinheiro público e não estão aguentando. Querem de qualquer forma tirar um presidente eleito democraticamente e colocar alguém que garanta a volta da teta no governo. Todo dia essa OMS diz uma coisa diferente sobre o COVID. Em outros países do mundo até o futebol já voltou. Na Itália, se comparando a população, se morreu 10 vezes mais que no Brasil e eles já abriram! Aqui isso virou um pandemônio político, com muito pouco de ciência. Se não fosse o auxílio emergencial de R$ 600 do governo federal o caos já estaria instalado”.

Garibalde Mendonça

Já o deputado estadual Garibalde Mendonça (MDB) avalia que o governador Belivaldo Chagas está em uma situação delicada e que precisa tomar decisões difíceis. “Não é fácil estar na pele do governador. Cada dia você tem uma novidade! Eu acho que ele está tomando as decisões aos poucos e está no caminho certo. A doença é perigosa, já perdi amigos e parentes, é um vírus traiçoeiro e bandido! A gente quer que o comércio abra, quer o isolamento. Quer tudo ao mesmo tempo. Está de parabéns o governador”.

Zezinho Sobral

O líder do governo na Alese, deputado Zezinho Sobral (PODE), explica que dois estados nordestinos já colocaram o tratamento com cloroquina em seus protocolos e que não dá para misturar técnica com política. “A OMS não disse que quem é assintomático não transmite a doença. Eles disseram que não conseguiram comprovar. Aí é outra história! A ciência só afirma aquilo que ela comprova. E a gente não pode espalhar isso como se fosse uma verdade. Cientificamente a OMS não conseguiu a comprovação e quem é do meio científico sabe que foi uma questão de interpretação e que não se pode ter isso como regra e expor as pessoas”.

Foto: Jadílson Simões

Por Habacuque Villacorte – Rede Alese

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