A chapa Eduardo, André e Valadares

 

Se a maldição dos vovôs na política não os acometer é provável que teremos Jackson Barreto e Antônio Carlos Valadares disputando o Senado em condições favoráveis de sucesso eleitoral. Não há dúvida que os dois largam na frente e tendem a ser os candidatos mais fortes a conquistar as duas vagas em jogo neste ano. Mas política é o diabo e, de repente, o que parece ser o céu vira um inferno.
Aos dois últimos caciques da geração de 60/70 não resta alternativa. Se querem permanecer vivos na política, como articuladores, formuladores e formadores de opinião, terão que ir para o embate. E até agora ninguém tem dado demonstrações de que pretende vestir pijama e sentar-se na cadeira de balanço.
Ambos atravessam momentos peculiares de suas longevas carreiras, que os colocam em posição de destaque onde atuam ou pretendem atuar. Jackson Barreto (MDB) é o líder inconteste do seu grupo e em torno dele se desenha a chapa da situação, onde o vice-governador Belivaldo Chagas (MDB) cresce como pretenso candidato ao governo e o ex-deputado federal Rogério Carvalho (PT) como o outro postulante ao Senado.
Não sem razão, Jackson teme que as frustrações do seu governo possam atrapalhar seu
futuro político, mas ele é um animal político arisco e tem confiança que o confronto com o eleitor lhe seja favorável, como quase sempre foi. Poucos políticos têm a capacidade de reverter situações desfavoráveis no embate com o povo quanto ele.
Já Antônio Valadares (PSB) tem aparecido entre os pesquisados de Sergipe como favorito a retornar ao Senado, o que faria pela quarta vez consecutiva. É incontestavelmente um bom parlamentar, não à toa constando pela 11ª vez consecutiva na pesquisa do Diap como um dos 100 Cabeças do Congresso.
Mas Valadares está incomodado por não ser o líder da oposição, posto hoje dividido entre os jovens senador Eduardo Amorim (PSDB) e deputado federal André Moura (PSC), o líder do governo Michel Temer no Congresso. No seu estado, Valadares lidera um pequeno e pouco influente grupo, no qual se destaca o seu filho, o deputado federal Valadares Filho (PSB).
E liderando apenas o seu incrível exército de Brancaleone o senador sabe que não vencerá uma batalha, quanto mais a guerra. O pretenso lançamento da candidatura do filho a governador do Estado, que cresce com o desejo do PSB expresso em congresso nacional, não passa de uma demonstração de força, porque eles mesmos surdamente reconhecem que o risco de perderem tudo não compensa a aventura.
Como não há mais vontade recíproca para voltar a conviver com Jackson e Belivaldo e, por outro lado, como o peso político de Valadares não pode ser desprezado, restará a ele e à dupla Eduardo/André o entendimento, para isso tendo que superar as dificuldades aparentes e as que hão de vir.
André demonstra já não resistir a ter ao seu lado um candidato ao Senado que pode superá-lo. E Valadares se apresentaria ele mesmo como candidato ao executivo se quisesse voltar a governar Sergipe, já que reúne ótimas intenções de voto também nesse quesito. Assim, vai para a briga pelo Senado e o filho disputa a reeleição.
Sem pretensão de desprezar o potencial eleitoral de André Moura e Rogério Carvalho, tudo acabará bem para Jackson e Valadares se a maldição dos vovôs na política não os acometer. Aquela maldição que levou à derrota outros grandes na disputa ao Senado: Leandro Maciel, derrotado por Gilvan Rocha em 1974; Lourival Baptista, derrotado por José Eduardo Dutra em 1994; e Albano Franco, derrotado por Eduardo Amorim em 2010.

Por Marcos Cardoso

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