Maior assentamento rural de Sergipe terá sistema de irrigação movido a energia solar

Projeto de energia inédito será implantado no Jacaré-Curituba, localizado entre os municípios de Canindé do São Francisco e Poço Redondo

O maior assentamento da reforma agrária de Sergipe, o Jacaré-Curituba, receberá projeto de geração de energia solar. O assentamento está localizado entre os municípios de Canindé do São Francisco e Poço Redondo e tem grande importância econômica para a região na produção de agricultura irrigada. São 686 famílias de agricultores com lotes irrigados que produzem, diariamente, toneladas de alimentos numa área de 3.600 hectares. Os principais produtos cultivados são o quiabo, mandioca, milho verde, feijão, banana, acerola, goiaba e coco.

O projeto de geração de energia solar está incluído nas ações do Plano de Desenvolvimento Integrado do São Francisco (PDI-São Francisco), implementado numa parceria entre o Governo do Estado e Governo Federal em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), por meio do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe), maior centro de ensino e pesquisa em engenharia da América Latina.

O projeto de energia é inédito em áreas de reforma agrária no país. A experiência inaugural realizada no Jacaré-Curituba deverá ser replicado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em diversas outras áreas de reforma agrária do país. A proposta é construir uma subestação para geração de energia solar em uma área de 8 a 10 hectares do assentamento.

Na última quinta-feira, 07, mais um passo importante foi dado para a consecução da obra com a visita do professor Dr. Walter Issamu Suemtsu, que faz parte do Instituto Coppe (UFRJ) responsável pela elaboração do projeto. Ele visitou a área acompanhado de dirigentes do assentamento, do secretário de Estado da Agricultura, Esmeraldo Leal, do superintendente adjunto do Incra em Sergipe, Wesley Teixeira Rodrigues e do superintendente regional, Gustavo Souto de Noronha, além dos técnicos de Ater (Assistência Técnica e Extensão Rural), que dão assessoria ao assentamento. O objetivo foi colher as primeiras impressões para o projeto de viabilidade técnica.

O secretário de estado da Agricultura ressalta a importância da parceria entre o Incra e o Instituto de Tecnologia da UFRJ para elaboração do projeto e disse que Sergipe recebe esta iniciativa de braços abertos. “Todos nós sabemos que a grande dificuldade dos assentamentos é com o alto custo da energia, principalmente para a agricultura irrigada. Esse custo, hoje, no Jacaré-Curituba é dividido entre o Governo Federal, por meio da Codevasf e o Governo do Estado.

Esmeraldo Leal disse que estão sendo feitos entendimentos para que as despesas com energia sejam compartilhadas entre Incra, Governo do Estado e agricultores. “Mesmo com os agricultores assumindo um terço do custo, ficaremos com dificuldades para pagar. Por este motivo, a geração de energia solar pode ajudar na diminuição dos custos praticados na irrigação e nas residências das 28 agrovilas que formam hoje o assentamento. Com sol o ano inteiro, o sertão tem potencial para isso. Considero este projeto estratégico para o estado de Sergipe, para o Alto Sertão, e principalmente para os municípios de Canindé e Poço Redondo”, explicou.

Um dos dirigentes do assentamento, o agricultor João Neguinho, mostrou para o professor Walter Issamu a realidade local e quais as necessidades dentro do perímetro quanto à questão da energia. “Só aqui, na agroindústria de beneficiamento de macaxeira, estamos pagando em torno de R$ 1.800 por mês de energia. Com a energia solar entrando, os custos cairiam entre 50 a 70%”, disse esperançoso o agricultor.

Ele detalhou que o assentamento tem dois sistemas elevatórios funcionando e estes são interligados com 134 casas de bomba pequenas que distribuem para os lotes. Este sistema de bombeamento consome em torno de R$ 120 a 130 mil por mês. E se contarmos com os custos das bombas maiores (EBS 100), que recebem água por gravidade da barragem de Xingó e bombeiam para o assentamento, este custo dobra.

João Neguinho acrescentou que a visita dos técnicos da Universidade é importante, porque se dialoga no sentido de construir um projeto que esteja adequado à realidade do assentamento. “Não queremos aqui um elefante branco, queremos um projeto que seja suficiente para nossa necessidade”.

PDI – São Francisco

Abrangendo um perímetro de 30 km de distância para cada margem do baixo e do sub-médio São Francisco, o Projeto de Desenvolvimento Integrado (PDI) estenderá suas ações por um território que ocupa áreas dos estados de Sergipe, Alagoas, Bahia e Pernambuco.

Nos 270 assentamentos previstos, vivem 13.267 famílias, além de milhares de agricultores familiares distribuídos em 87 municípios do Médio e Baixo São Francisco nos estados de Alagoas, Pernambuco, Sergipe e Bahia, desde o Lago do Reservatório de Sobradinho à foz. Na região vivem 2,3 milhões pessoas, das quais 760 mil estão na área rural. Na região existem ainda 14 áreas indígenas e 05 territórios quilombolas.

Em Sergipe, até 13 municípios dos territórios de desenvolvimento do Alto Sertão Sergipano e do Baixo São Francisco Sergipano serão objeto do PDI. Os municípios efetivamente beneficiados serão definidos ao longo da elaboração do Plano, cujo processo de elaboração será participativo, ouvindo os diversos parceiros e respeitando a cultura local.

 

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