Feira da Agricultura Familiar incentiva pequeno produtor e promove saúde do consumidor

fA política de fortalecimento de agricultura familiar implantada pelo Governo do Estado inclui, além da doação de sementes e de horas máquina, a promoção da agricultura como atividade de mercado e não mais como de subsistência. Para isso, o governo promove a Feira de Agricultura Familiar em Aracaju e no interior.

Em Aracaju são três pontos de comercialização, na sede da Secretaria de Inclusão Social (Seidh) e nas secretarias de Estado da Educação e do Meio Ambiente, que são parceiras do programa, contemplando 28 agricultores de dez municípios. Além da capital, as feiras dos municípios de Gararu e Nossa Senhora da Glória também comercializam frutas, hortaliças e tubérculos orgânicos, certificados com o selo OCS que é uma organização credenciada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Mas o projeto, que já acontece há mais de três anos, está presente em mais 13 municípios sergipanos com os produtos convencionais. São cerca de 350 agricultores cadastrados em todo o estado.

A diretora do departamento de Segurança Alimentar e Nutricional da Seidh, Lucileide Rodrigues, destaca a promoção da saúde promovida pelos alimentos livres de produtos químicos. “É a questão da segurança alimentar e nutricional. A população hoje em dia está bem mais preocupada com a saúde e é isso que a gente leva para o consumidor, um alimento sem agrotóxico e que seja nutricionalmente correto”. A cuidadora Patrícia Andrade, que frequenta a feira há pelo menos um ano, confirma esta tendência. Mãe de uma criança de cinco anos, ela buscou alimentos mais seguros para sua família.

“Meu filho gosta muito de tomate, mas ele estava tendo uma alergia. Eu descobri os orgânicos e depois que ele começou a comer não teve mais nada. A feira é muito boa, a gente sabe que os alimentos são orgânicos mesmo, e é melhor correr atrás de saúde sabendo que está comendo uma coisa correta. Venho de 15 em 15 dias e nós só usamos orgânicos. Sempre recomendo a outras pessoas, porque às vezes é melhor pagar mais caro e ter saúde, pois compramos tomate de R$ 1,50 o kg, mas não sabemos o quanto de química que tem neles”, pondera a consumidora.

Os preços praticados não são abusivos, mas equivalentes aos das feiras convencionais, considerando-se o diferencial dos produtos. Os brasileiros estão acrescentando mais alimentos saudáveis à sua rotina alimentar em busca de uma melhor qualidade de vida e da prevenção de doenças. Há maior consciência sobre o que comer e também sobre o ato da compra, pois o contato direto entre produtor e consumidor permite saber a procedência do produto.

“Estamos abertos para expandir para parcerias, esperando os convites de outras secretarias. Há um projeto de expansão para tornar a Feira semanal”, informa diretora. Como toda boa feira, ainda tem promoção: em compras a partir de R$20, o cliente ganha uma sacola de tecido para que abandone as sacolas plásticas, altamente poluentes ao meio ambiente, assim como os agrotóxicos.

Pequenos agricultores

Outro grande diferencial da Feira da Agricultura Familiar é a geração de renda para o agricultor, colaborando para a melhoria da qualidade de vida no campo. “É um programa que evita a intermediação de terceiros e o fato de evitar o atravessador já é uma forma de tornar o preço justo. O agricultor passa a ficar com o lucro total. Com o atravessador, o produtor perde parte do lucro porque repassa a mercadoria. Há preço justo para quem consome e produz”, afirma o secretário de Estado da Agricultura, Esmeraldo Leal.

A pequena agricultora Élida Rosa Vieira, do povoado de Rio das Pedras em Areia Branca, optou pela produção de alimentos orgânicos e diz que, além de saboroso e mais saudável que o convencional, o alimento orgânico de qualidade pode ser competitivo economicamente. Participante da Feira da Agricultura Familiar desde o seu início, ela diz que esta iniciativa significou uma mudança de vida para muitos pequenos produtores como ela.

“Antes a gente não tinha onde comercializar, trazia o cestão e vendia no mercado de folhas verdes aqui de Aracaju. Hoje não, eu só planto o que vou vender aqui. Tudo o que eu vendo é orgânico, todo o terreno é livre de qualquer tipo de agrotóxico, são 80 tarefas e é toda cultivada na agroecologia. Eu tenho tomate, tomate cereja, cebola, cebolinha, coentro, alface, tubérculos variados, e somente as frutas de época. Dá para ter rentabilidade, muita gente ‘manga’ diz que não, mas dá sim. Muitos consumidores ainda não acreditam e produtores também não, acham que não dá para a gente sobreviver só com isso. Para mim está dando”, garante, mas acredita que é preciso criar espaços para estes produtos nas feiras livres convencionais.

“Hoje não vale a pena ir para feira livre, ninguém acredita. A gente tem que ter um espaço próprio, se colocar no meio deles não adianta, não acreditam. Tem muita gente dizendo que é natural, mas não é. Falo por experiência própria porque na minha região o que mais tem é hortaliça e eles dizem que é natural, mas não é. O consumidor pode exigir o certificado da OCS (Organização de Controle Social) e se não tiver na banca não adianta comprar”, alerta.

No método de produção agroecológico somente há utilização de defensivos agrícolas naturais dos mais diversos, mas que não agridem o meio ambiente. Tudo é feito de forma manual. “As vezes dá vontade de jogar a peteca porque o cansaço é o triplo, tudo é manual, abrir leira, limpar e o trabalho é maior. Mas também dá satisfação de saber que estou oferecendo um produto para as pessoas que não vai prejudicar a saúde delas. A gente tem a confiança dos clientes”, conta Élida Vieira.

Alimento orgânico

Não é somente o alimento “sem agrotóxicos”. Além de isento de insumos artificiais como os adubos químicos e os agrotóxicos, ele também deve ser isento de drogas veterinárias, hormônios e antibióticos e de organismos geneticamente modificados (transgênicos). Durante o processamento dos alimentos é proibido o uso das radiações ionizantes e aditivos químicos sintéticos como corantes, aromatizantes, emulsificantes, entre outros.

Alimento orgânico vem da Agricultura Orgânica, que na Legislação Brasileira de tem como objetivos a auto-sustentação da propriedade agrícola, a maximização dos benefícios sociais para o agricultor, a minimização da dependência de energias não renováveis na produção, a oferta de produtos saudáveis e de elevado valor nutricional, isentos de qualquer tipo de contaminantes que ponham em risco a saúde do consumidor, do agricultor e do meio ambiente, o respeito à integridade cultural dos agricultores e a preservação da saúde ambiental e humana.

Em busca destes benefícios, Silvia Macieira, moradora do bairro São José em Aracaju faz a cada quinze dias uma pequena caminhada, para fazer a feira. “Seria ainda melhor se passasse a semana inteira. Gosto dos produtos. Uns problemas de alergia na pele, o médico, as doenças de hoje em dia me fizeram vir até aqui. Hoje nos vivemos no mundo dos tóxicos e gosto muito de alface, tomate, e há muito tempo não comia. Não é isso que vai evitar de morrer, mas enquanto for viva come coisa boa. E uma boa alimentação. Frequento a feira desde a criação, a mercadoria eu sei que é boa, é mais cara, mas vale. É preciso mais incentivos para os produtores que não utilizam agrotóxicos”, opina.

Ela tem razão. Os resultados do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), realizado periodicamente pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mostram que ainda é preciso investir na formação dos produtores rurais e no acompanhamento do uso de agrotóxicos. O programa avalia continuamente os níveis de resíduos de agrotóxicos nos alimentos que chegam à mesa do consumidor. O último monitoramento (2011/2012) mostrou que 36% das amostras de 2011 e 29% das amostras de 2012 apresentaram resultados insatisfatórios. São dois tipos de irregularidades: uma quando a amostra contém agrotóxico acima do limite máximo permitido e outra quando a amostra apresenta resíduos de agrotóxicos não autorizados.

Agricultura Familiar

Em Sergipe, segundo o IBGE, são 100.606 estabelecimentos de pequenos agricultores. E, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), mais de 70% do que o povo brasileiro consome vem da agricultura familiar. “Em Sergipe, mais de 71% do que é consumido vem da agricultura familiar, por isso que aproximar o agricultor do consumidor é importante. Isso não tira a importância do agronegócio, mais voltado para a exportação e ajuda a balança comercial, mas quem alimenta o brasileiro e o sergipano é a agricultura familiar”, reforça o secretário Esmeraldo Leal.

Por sua relevância estratégica para o Brasil, do ponto de vista econômico, social e ambiental, em junho desde ano o Governo Federal ampliou o repasse de recursos para o segmento. “Houve um aumento de 20% para os recursos  do Plano Safra. Passou para R$ 28,9 bilhões, um número significativo. Com esse incremento, são mais recursos disponibilizados para o Brasil e Sergipe. É importante destacar que esse recurso nem sempre é disponibilizado, depende também da capacidade de endividamento do produtor, do acesso deles ao Pronaf. Por isso a importância da regularização fundiária, é fundamental porque cria as condições para que os agricultores acessem ao programa”, destaca o secretário de Estado da Agricultura.

 

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