Ex-aluno da rede pública de Sergipe consagra-se como campeão mais uma vez no ciclismo

Defendendo São Paulo, Brendo conquistou dois títulos dos Jogos Escolares, dessa vez na prova de resistência

Entre 2011 e 2015, o jovem ciclista Brendo Morais Santos se destacou nos Jogos Escolares da Juventude defendendo Sergipe, seu estado de origem. O sucesso foi tanto que há oito meses ele foi morar no interior de São Paulo para treinar no Centro de Excelência da Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC). Na manhã deste domingo, 13, agora defendendo São Paulo, Brendo conquistou dois título dos Jogos Escolares, dessa vez na prova de resistência.

Aluno da Escola Estadual Cesarino Borba, de Iracemápolis (SP), Brendo completou 14 voltas no circuito de 2,6 km em 55min31s019, 0s115 de vantagem sobre o segundo colocado, o maranhense Domingos Renilson dos Santos, do Colégio Estadual Colares Moreira, de Codó (MA). A medalha de bronze ficou com Leonardo Finkler do Colégio Marista São Luis, de Santa Cruz do Sul (RS). A outra conquista foi na prova do contrarrelógio, realizada sexta-feira.

O técnico que revelou o atleta sergipano, Wagner Facion brincou após a prova: “Ele me abandonou e agora deu dois ouros pra São Paulo”. Brendo ouviu as lamúrias do seu ex-técnico e disse: “Abandonei, mas se não fosse ele nada disso estaria acontecendo. Tenho que seguir o meu caminho e em São Paulo a infraestrutura é muito melhor”.

Outro atleta que poderá, em breve, receber convite para treinar no Centro de Excelência da CBC é o maranhense Domingos, medalha de prata na prova de resistência. Mesmo sem equipamento adequado ao seu tamanho, o atleta de Codó (MA) conquistou a medalha de prata e festejou como se fosse campeão.

“Disputei meu primeiro Jogos Escolares em Natal 2013 e sobrei na prova de resistência. Minha bicicleta tinha pneu grosso, eu não tinha sapatilha, não tinha nem roupa. Mas eu nunca perdi a fé. Na verdade, tudo o que eu passei foi um incentivo a mais para eu continuar perseguindo o meu sonho de subir no pódio. Treinava sozinho no sol do meio-dia todos os dias e com apoio da minha família, principalmente da minha mãe, que me deu uma bicicleta nova, consegui essa medalha. Ela já dizia que só de estar aqui sou um vencedor, mas com uma medalha tudo fica melhor”, afirmou.

A bandeirada de largada e de chegada da prova foi dada pelo Embaixador dos Jogos Escolares, Gideoni Monteiro, que ficou em 13º lugar no Omnium dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Gideoni encerrou um hiato de 24 anos sem um brasileiro competindo nas provas de pista olímpicas (o último foi Fernando Louro, nos Jogos de Barcelona 1992). O atleta distribuiu autógrafos, posou para fotos e conversou com todos os atletas antes e depois da prova.

“É muito gostoso acompanhar o surgimento dessa nova geração. Ver como está a expectativa deles, sentir o brilho nos olhos, ver a ‘carinha’ da garotada… Meu ciclo completo como atleta só será encerrado quando eu ver um desses jovens brilhar no futuro e dizer que graças ao meu incentivo que eles perseveraram no esporte. Aí sim vou me sentir realizado”, disse Gideoni, que já traça as estratégias de treinamento para disputar os Jogos Olímpicos Tóquio 2020.

“A vaga conquistada para disputar os Jogos Olímpicos já foi uma barreira quebrada. Fiquei em sexto lugar na prova por pontos e vi que estamos muito próximos dos melhores do mundo. Se em dois anos de treinamento eu quase consegui atingir o objetivo de terminar a prova entre os top 10, imagina com seis anos de treinamento”, disse.

Para Gideoni, o fato dos Jogos Olímpicos terem acontecido no Brasil também foi muito importante para o público brasileiro conhecer o esporte. “São provas muito dinâmicas, muito interessantes e acredito que os brasileiros agora entendem mais do ciclismo de pista e passem a se interessar mais pelo esporte”.

Os Jogos Escolares da Juventude são organizados e realizados pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), correalizados pelo Ministério do Esporte e Grupo Globo, com apoio do Governo da Paraíba e patrocínio máster da Coca-Cola.

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