Quinta Instrumental apresenta a guitarra baiana por Armandinho e Lito Nascimento

A guitarra baiana foi o instrumento explorado pelos músicos Armandinho e Lito Nascimento na noite desta quinta-feira, 26, durante a realização da edição de setembro do Quinta Instrumental. O projeto promovido pela Prefeitura de Aracaju, através da Fundação Cultural Cidade de Aracaju (Funcaju), já está consolidado na programação da cidade e acontece mensalmente, lotando a praça General Valadão, Centro da capital sergipana.

O presidente da Funcaju, Cássio Murilo, destaca a alegria de realizar o Quinta Instrumental todos os meses e ressalta a importância de trazer artistas de outros Estados para o enriquecimento cultural dos aracajuanos. “Estamos cumprindo a nossa missão, traçada em Planejamento Estratégico, ao trazer atividades artísticas e culturais de qualidade em praça pública gratuitamente, desmistificamos que a música instrumental é para poucos e democratizando esse acesso. O projeto passou por uma repaginação e a nova proposta é que artistas locais possam dialogar com artistas reconhecidos no cenário nacional. Assim, mostramos que estamos em pé de igualdade com qualquer outro estado, inseridos no cenário da música instrumental do Brasil e possibilitando que o público experimente as duas realidades musicais”, explica o presidente.

No ano em que completa 50 anos de carreira, Lito Nascimento, natural de Alagoinhas (BA), mestre da guitarra baiana e erradicado em Sergipe há 37 anos, avalia que é mais sergipano do que baiano. “Aracaju é uma cidade maravilhosa e sou muito feliz aqui com a minha música. Esta é uma noite para homenagear o instrumento pelo qual me apaixonei assim que vi pela primeira vez, por volta da década de 60, e um prazer imenso celebrar junto a esse público que já conheço, por me acompanhar há tantos anos cotidianamente”, afirma Lito.

Para a noite do Quinta Instrumental, o compositor, instrumentista e cantor, Armandinho, também levou um pouco da história da guitarra baiana para conhecimento do público presente. Ele relatou a sua trajetória de disseminação do instrumento ao amplificá-la no trio elétrico, idealizado pelo pai dele, Osmar Macêdo, da dupla Dodô e Osmar. Assim como, destacou a exclusividade do instrumento brasileiro, que faz sucesso no exterior, e a sua fabricação, através do sergipano Elifas Santana, que ele considera o maior luthier de guitarra baiana do mundo.

“Para nós, músicos, oportunidades de levar cultura ao povo são muito importantes e eu tenho uma grande satisfação de ver as gerações seguintes conhecendo essa história e esse instrumento. Eu costumo chamar isso de música trieletrizada e levo para onde vou com muito orgulho. Por isso, retornar a Aracaju é um prazer enorme. Essa cidade é a nossa segunda casa e tocar aqui está sendo ainda mais satisfatório por ser em praça pública, graças a esse projeto da Prefeitura de Aracaju, que valoriza a nossa música”, elogia Armandinho.

No repertório da noite, além dos clássicos frevos, os mestres da guitarra baiana fizeram grandes homenagens levando o bandolim ao palco e tocando os mais diversos estilos, como chorinho e MPB.

O músico, percussionista, Marcos Mancada, contribuiu com a vinda de Lito Nascimento de Alagoinhas (BA) para Aracaju e prestigiou a apresentação do amigo nesta noite. Para ele, o Quinta Instrumental é uma das melhores coisas criadas em Aracaju. “Esse projeto possibilita o acesso do povo ao nosso trabalho cultural e isso me deixa muito feliz. Um dos grandes presentes que Aracaju poderia receber através do Quinta eram shows de Lito Nascimento e Armandinho, como aconteceu hoje”, afirma.

Lotando a praça General Valadão, o público, que não escondeu a  animação, avaliou de forma extremamente positiva o projeto e a experiência musical que puderam vivenciar. Joelma Lemos, psicóloga e psicanalista, é natural da cidade de Cuiabá, Mato Grosso, está em Aracaju há três anos e parabeniza a Prefeitura de Aracaju pela iniciativa do projeto. “Revitalizar o Centro da cidade com arte e cultura é tudo de bom. Principalmente, em um momento assim de fim de tarde e início da noite, onde a gente pode vir e ouvir uma boa música. Achei muito bacana. Um evento como esse ainda gera renda ao pessoal que comercializa no local”, ressalta.

O ambiente agradável, tranquilo e o estilo musical foi o que fez o representante comercial, Demóstenes Andrade, estar pela segunda vez no evento realizado pela Funcaju. “Eu acho uma atitude sensacional, não sou daqui, mas moro em Aracaju há um ano e um mês e fiquei impressionado com um evento como esse em praça pública. Principalmente por ser música instrumental, que não é tão valorizada no cenário comercial, como rádios e televisões, por exemplo. É exatamente por isso que esse apoio é tão importante para quem trabalha nessa área”, enfatiza Demóstenes.

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