Projeto Amigo Carroceiro promove acolhimento e leva orientação para trabalhadores

Acolhimento, orientação e lazer foram alguns dos principais pontos que levaram a Fundação Municipal de Formação para o Trabalho (Fundat), em parceria com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/SE), a Secretaria Municipal da Juventude e Esporte (Sejesp), a Guarda Municipal de Aracaju (GMA), a Secretaria Municipal da Assistência Social e a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sema), a promover a primeira edição do evento Amigo Carroceiro, realizado neste sábado, 15, na Unidade de Qualificação Profissional (UQP) do bairro Jardim Esperança.
A iniciativa, discutida e executada com o intuito de receber não só os trabalhadores que atuam como carroceiros, mas também suas famílias, ofereceu diversos serviços de forma gratuita, a exemplo do cadastro de currículos, escova e corte de cabelo, orientação jurídica, oficinas de artesanato, atividades de recreação voltadas para as crianças e orientações da comissão dos direitos das mulheres contra a violência doméstica.
Presidente interino da Fundat, Jorge Araujo Filho, e a presidente da Comissão de Direitos dos Animais da OAB/SE, Renata Mezzarano

Segundo o presidente interino da Fundat, Jorge Araujo Filho, o evento significou um marco na cidade de Aracaju. “A iniciativa foi comandada pela OAB/SE e, desde o momento em que nos procurou enquanto Secretaria do Esporte, Fundat e os outros órgãos da Prefeitura que estão envolvidos, a gente tem se somado para trazer ações concretas e efetivas para o carroceiro. Nada contra ele. Nossa intenção, capitaneada pela Comissão do Direito dos Animais da OAB, teve a intenção de gradativamente ir contribuindo para que consigamos algumas oportunidades no mercado de trabalho para os carroceiros. E aí surgiu essa ideia do projeto Amigo Carroceiro, que culminou numa tarde de lazer e oportunidades. Por estarmos como parceiros, apoiando a iniciativa, a ideia é que a gente se reúna, faça uma avaliação desse primeiro evento, para então programar e fazer um cronograma para ver como vamos continuar atuando nessa parceria com a OAB/SE”, salientou.

De acordo com a presidente da Comissão de Direitos dos Animais da OAB/SE, Renata Mezzarano, apesar de reconhecer a importância de garantir o bem estar dos animais, o objetivo desse dia festivo era acolher e contribuir para a mudança de vida dos carroceiros através dos serviços e orientações disponibilizados pelos organizadores envolvidos.

“A gente ficou pensando numa forma de mudar a realidade e acabar com o sofrimento deles, não necessariamente acabar com as carroças. Porque a gente acha que acabar com as carroças é a consequência do fim da indignidade do carroceiro. Então, a gente resolveu fazer esse evento para os carroceiros, no qual eles puderam trazer a família. A OAB/SE veio dar orientação jurídica, além da orientação da comissão dos direitos das mulheres. A Fundat vai tentar qualificar todo mundo dentro das próprias aptidões e depois vai tentar reinserir no mercado de trabalho, ou se a pessoa for autônoma, receberá ajuda para começar a caminhar sozinha e aí, naturalmente, vai deixar a carroça e o cavalo de lado”, completou Renata.
Expectativa
Para o estudante e carroceiro Juan Barros, de 18 anos, participar do evento e receber as orientações e acolhimento foi de suma importância para que ele pudesse dar mais um passo rumo ao mercado de trabalho. “Acho que essa é uma oportunidade de vida, porque a gente que é carroceiro sabe como é o dia a dia na rua. Tem muitas pessoas que, às vezes, trata a gente bem, que apoiam o nosso trabalho, e  tem muitas pessoas também que não gostam. Eu não tenho filho, mas sou casado, é difícil precisar de uma coisa e não ter, e a gente só tem alguma coisa se trabalhar. Eu estudo o 1º ano, minha esposa também, e a gente quer uma oportunidade de trabalho, que ainda não tivemos. Todo mundo tem o sonho de ter sua casinha, de ter seus móveis e, querendo ou não, cada mente tem o seu guia, e quer que tudo dê certo. Pra isso, a gente tem que ter um trabalho pra não tá sofrendo tanto como a gente sofre na carroça. É muita luta. Quero que a situação um dia melhore não só pra mim, mas as outras pessoas que precisam de uma melhora também, de uma oportunidade, que é o que mais quero”, ressaltou.
Assim como Juan, o Sândalo Arcanjo, de 46 anos, também trabalha como carroceiro e se dedica à labuta diária. e nada fácil, há mais de 20 anos. Agora, a obstinação por tentar outra forma de sustento e abandonar a prática o levou a participar do evento, que avaliou como muito importante para sua orientação. “Pra mim foi ótimo estar aqui, porque aí já vou poder colocar meu currículo para começar a trabalhar, depois. Fui bem atendido e é bom para gente ter essa ajuda pra ter um emprego mais digno. To esperando essa oportunidade”, contou ansioso por esse momento.

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