Valadares lamenta fechamento da Fafen em Sergipe e na Bahia e critica falta de solução definitiva por parte do Governo Temer

O senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) ocupou à Tribuna, na manhã desta quarta-feira (28), para falar sobre a situação da Fafen em Sergipe e na Bahia, sobretudo da decisão de adiar o fechamento das fábricas para 31 de outubro. O adiamento, anunciado pelo presidente da Petrobrás, Pedro Parente, em reunião ontem (27), foi fruto de pressão das bancadas dos dois estados.

Para Valadares, a atitude de decidir o futuro das fábricas após o período pós-eleitoral é um tanto capciosa. “Se trata de uma medida antipática, impopular, uma medida que vai prejudicar centenas de trabalhadores do setor petroquímico em Sergipe e na Bahia, para dourar a pílula, o governo do presidente Temer resolveu adiar o fechamento dessas duas fábricas para após as eleições. É, a meu ver, uma decisão para atenuar a revolta, o desespero e desassossego das populações de dois estados do Nordeste que foram humilhados pela Petrobras”, criticou.

Valadares explicou que a fábrica de Sergipe, instalada desde 1982 em Laranjeiras, marcou um novo ciclo de desenvolvimento na região, gerando emprego e ampliando divisas. Atualmente, a Fafen de Sergipe garante o emprego direto a cerca de 300 trabalhadores, 700 empregos indiretos e a quase 500 terceirizados e suas famílias.

Para o senador, a intenção do governo é claramente privatista. Os argumentos da Petrobras seriam de que a decisão está alinhada ao posicionamento estratégico de sair integralmente das atividades de produção de fertilizantes, aliado aos resultados negativos de 2017. “Não se deveria, em hipótese nenhuma, abrir mão do patrimônio, desestruturar a economia de uma região já carente e colocar em risco a subsistência de tantas famílias sem antes buscar alternativas”, ressaltou.

O senador registrou ainda que o fechamento das empresas vai na contramão da lógica do mercado interno e da tendência mundial, uma vez que a demanda global por fertilizantes nitrogenados cresce, e os preços internacionais devem aumentar até 15%. Além disso, hoje, a dependência brasileira da importação de fertilizantes nitrogenados é da ordem de 70%. Com o fim das fábricas, essa dependência passaria a ser absoluta.

Valadares acrescentou que as bancadas de Sergipe e da Bahia estão reagindo, assim como a bancada do Paraná, onde há também uma fábrica de fertilizantes e lutarão contra o que considerou “uma violação dos interesses nacionais”.

Em aparte, o senador Waldemir Moka (PMDB-MS) avisou que o governo vai rediscutir o assunto e tentar encontrar uma alternativa para a questão. Ele concordou que o fechamento das fábricas é “um absurdo” e destacou que a agricultura nacional depende de nitrogênio, fósforo e potássio. “Não há como justificar, sem falar no prejuízo econômico que traria, ou que trará, aos estados”, completou.

Por Assessoria de Imprensa
Foto:  Pedro França / Agência Senado

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