Samuel: “violência se reduz com tecnologia e prevenção”

O deputado estadual Capitão Samuel (PSL) ocupou a tribuna da Assembleia Legislativa, nessa terça-feira (6), para comentar o estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) que comprovou que Sergipe continua sendo o Estado mais violento do Brasil. O parlamentar não distorce os dados, mas esclarece que o crescimento da violência se deu nos últimos 10 anos em virtude de uma política equivocada de segurança. Samuel é defensor que, para se reduzir a violência, o governo tem que investir em tecnologia e em políticas de prevenção.

“Teve grande repercussão a divulgação dessa pesquisa sobre a violência e os números divulgados são alarmantes. Socorro, por exemplo, foi o terceiro município mais violento do País. Na minha avaliação, o que acontece na violência nos últimos 10 anos se deve muito a ausência de concursos públicos, sobretudo para o policiamento ostensivo e preventivo”, avaliou o deputado.

Samuel disse que os governos decidiram investir em inteligência, investigação e repressão policial, o que não deu certo em lugar algum do País. “Quem não faz investimento em prevenção, não tem como melhorar os números. Acabaram com o policiamento comunitário no Brasil e não tivemos campanhas contra as drogas. Tem que voltar os olhos para a prevenção no País inteiro, caso contrário, vamos seguir com processos em demasia no Judiciário, com cadeias superlotadas e não vai se revolver o problema”.

“Aumentar a pena dos traficantes não vai resolver o problema. Na Indonésia, por exemplo, a pena para este crime é a morte e ainda assim tem o tráfico de drogas. Pena dura apenas não resolve. Os Estados Unidos tem uma população carcerária muito maior que a nossa e não resolveu o problema das drogas. Os estados americanos que resolveram investiram em tecnologia e em prevenção. Aqui em Sergipe já temos uma melhora, uma redução, mas graças aos 1,2 mil novos homens nas ruas. Mas só teremos a boa notícia quando sair a pesquisa com os números de 2017”, acrescentou o deputado estadual.

Samuel destacou um seminário que participou em Goiânia (GO) onde conheceu um método de prevenção de Santa Catarina. “A ideia que queremos implantar aqui é que se a pessoa perder um celular, por exemplo, basta ela procurar um policial militar para prestar um boletim de ocorrência. Não precisa passar horas esperando para ser atendido em uma delegacia. Pega esse boletim automático na rua e um software que custaria ao governo cerca de R$ 300 mil. Essa tecnologia facilitou demais o trabalho e reduziu o efetivo que era deslocado para estas funções”.

O deputado explicou que também não será necessário ter muitos delegados em distritos policiais. “Quando o cidadão for detido, o delegado será acionado e de onde estiver já vai liberar, arbitrar a fiança ou mandar prender e encaminhar para a delegacia específica. Com isso vai se gastar menos combustível e teremos mais efetivo nas ruas, fazendo rondas. Essa tecnologia já funciona em Santa Catarina e nós queremos trazer para cá. Já existem R$ 50 milhões para isso e, para Sergipe, algo em torno de R$ 2 milhões. Não tenho dúvidas que vai facilitar o atendimento às ocorrências”.

Apartes

O deputado Moritos Matos (PROS) vê como louvável o investimento em tecnologia e também defende a prevenção, mas chama a atenção que é preciso resolver o humano primeiro. “Ninguém nasce determinado a ser um marginal. Se pensasse assim, não acreditaria em Deus. Acho que é preciso sempre investir no humano. As tecnologias ajudam, assim como o policiamento preventivo, mas é preciso investir na família para aquele ente não chegar a ser um marginal. Aí teremos melhores resultados”.

Por sua vez, a deputada Maria Mendonça (PP) lamentou os números negativos de Sergipe na pesquisa e pontuou que a situação é “desesperadora”. “A maioria das pessoas nem registra mais o boletim de ocorrência. A demora no atendimento ajuda muito. Infelizmente vivemos reféns dos marginais. Isso graças ao descaso do poder público e da falta de políticas públicas que garantam vida digna para a juventude”.

Por Agência de Notícias Alese

Foto: Jadilson Simões

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