Por que será que não surgem novíssimos nomes na política?

Por [*]Alex Nascimento

Com os dentes cravados nas benesses do poder e beneficiados por um sistema eleitoral e uma prática quase sempre amoral, “o típico político brasileiro somente sai da política num caixão” e, mesmo assim, antes de bater as botas, assegura o repasse do confortável poder aos seus descendentes.

Alex Nascimento: nosso elite política, quase toda ela, estagnou-se!

Em Sergipe não é diferente. Acresce, o que complica ainda mais nossa realidade, o fato de sermos um povo conservador, um povo medroso, arredio ao novo.

Nas últimas décadas, com exceção do falecido ex-governador Marcelo Déda, não surgiu e nem há perspectivas de que surja nenhum novíssimo nome na política sergipana.

Não digo de um parlamentar ou outro, nem de uma jovem liderança qualquer que conseguiu ascender a um mandato, quer em seu mundinho interiorano, quer para todo o estado: como é sabido, gente nova na política não quer dizer renovação.

Poderíamos, para confirmar a assertiva, citar nomes diversos – alguns neófitos, outros já nem tanto -, que conquistaram ou herdaram um naco do poder e que já nasceram envelhecidos, tamanha a pequenez dos mandatos que exerceram ou exercem, e mais especialmente devido à pequenez de valores, hereditário (?!), a falta de ideias, de ideais e de visão política e de Estado.

Coletivamente, não somos referência nacional em nada. No particular, sim, temos empreendedores que nos enchem os olhos – nosso hino, inclusive, revela um pouco disso, que o diga o nobilíssimo reitor da Universidade Tiradentes, um maior dentre os grandes nomes.

Mas no coletivo, no político… contentamo-nos com muito pouco! E essa característica de nossa gente, retroalimentada pela envelhecida classe política de nosso Estado, termina por contribuir para com marasmo do que estamos sendo nas últimas décadas. Sergipe precisa pensar grande!

Onde estão os intelectuais? Onde estão as academias? É preciso convocar os mais diversos segmentos da sociedade para articular formas de pensar e propor um estado mais ousado, mais moderno, sintonizado com os grandes debates de nosso tempo.

Aracaju, por exemplo, poderia ser uma referência nacional de cidade sustentável, e isso por razões diversas, mas ficamos debatendo a questão da licitação do lixo, claro que importante, e não damos uma única palavra quanto ao que fazermos com os nossos resíduos, o que nos custa caro, muito caro também.

É verdade que durante o processo eleitoral o marketing atualiza o discurso, que morre com a abertura das urnas. Na política, o nosso prato é sempre o mesmo feijão com arroz.

Pensar em um novíssimo nome na política sergipana é pensar em um grupo, em lideranças capazes de modernizar a nossa agenda. A nosso elite política, quase toda ela, estagnou-se!
 [*] É professor e jornalista.

Reprodução do Portal JL Politica.com.br

Deixe uma resposta