Capital cresce e continua atraindo pessoas de outras cidades e estados

Segundo o IBGE, a cidade de Aracaju, entre os anos de 2000 a 2010, foi uma das cidades de porte médio (com população entre 100 mil e 500 mil habitantes) no país a receber pessoas de vários locais. O número desse crescimento varia entre 15% a 30%. Segundo os pesquisadores do instituto, isso demonstra a influência da migração no processo de crescimento demográfico de tais municípios. As informações fazem parte de um relatório sobre os deslocamentos demográficos no Brasil

Por Camila Santos, repórter da ASN

Historicamente formada por migrantes de todas as partes de Sergipe, além de outros estados, Aracaju mantém esta característica receptiva até os dias atuais. O censo do IBGE de 2010 dá conta que, dos residentes em Aracaju, 32,6% não são nascidos na cidade e 11,0% são de outras unidades federativas. Os motivos variam, mas continuam atraindo pessoas de todas as partes a fixarem residência na cidade que, por sinal, concentra os melhores indicadores de desenvolvimento do estado.

A estimativa da População para 2015, segundo o Instituto, é de 632.744 pessoas. E “a cidade oferece as melhores oportunidades de emprego e de prestação de serviços, fatos que têm atraído para a capital a população residente no interior do estado. Aracaju concentrava, em 2015, 28,1% da população total do estado, segundo estimativa do IBGE”, informa a diretora de estudos do Observatório de Sergipe, Isabel Vieira. A capital também é detentora do maior PIB per capita do Nordeste, com R$ 22.646,67 reais, em dados de 2013.

Não foi à toa que uma jovem família, vinda do interior paulista, mais precisamente de São Bernardo do Campo, cresce na cidade, economicamente e em número de integrantes, já com um sergipaninho nascido em Aracaju. Jeniffer Franco dos Santos, 28 anos, mãe do pequeno Leonardo de 4 meses, junto com o esposo Maxuel, 30 anos, e o cunhado Leandro, 32 anos, fixaram-se na capital sergipana e não tem planos para ir embora. Movidos pela emoção e pela razão, abriram empresa e ergueram residência há quase três anos.

A escolha

“Na verdade, acho que a gente nunca tinha pensado em Sergipe, aconteceu que na minha lua de mel vim conhecer o Nordeste com o meu marido, que o pai dele é da Bahia, passamos por Sergipe e ficamos encantados com a Orla, com a cidade que parecia de bonequinha, e ficamos com isso na cabeça. Logo depois de um tempo, por alguns acontecimentos familiares, a gente resolveu mudar para um lugar melhor, com qualidade de vida, para que a gente tenha mais tranquilidade, porque São Paulo você sabe, é uma selva de pedra bem complicada. Quando foi depois de um ano de casada, a gente resolveu mudar, escolhemos Aracaju entre algumas cidades do Nordeste, pela qualidade e seis meses depois estávamos aqui”, conta.

Aracaju foi a preferência no comparativo com João Pessoa, na Paraíba e Natal, no Rio Grande do Norte, que foram pesquisadas, analisadas, tanto para moradia, quanto para o comércio. Sergipe acabou sendo a escolha pelo tamanho da capital, que representaria um pouco menos de concorrência para os negócios, como explica o empresário Leandro.

“A gente fez uma pesquisa de mercado antes de vir para cá, pesquisamos a renda per capita, qual era a usabilidade dos produtos Apple aqui em Aracaju, que é o nosso grande forte, e na pesquisa tivemos bons resultados que foi uma estatística muito importante para a gente tomar a decisão de vir para cá. Já que a empresa já era formalizada lá, então era um negócio que já existia”, explica. A empresa já existe há oito anos.

Aracaju cresce

Segundo o IBGE, a cidade de Aracaju, entre os anos de 2000 a 2010, foi uma das cidades de porte médio (com população entre 100 mil e 500 mil habitantes) no país a receber pessoas de vários locais. O número desse crescimento varia entre 15% a 30%. Segundo os pesquisadores do instituto, isso demonstra a influência da migração no processo de crescimento demográfico de tais municípios. As informações fazem parte de um relatório sobre os deslocamentos demográficos no Brasil.

Quem também observou os números para se instalar recentemente na pequena, assim carinhosamente apelidada por seus moradores, foi o grupo pernambucano Ferreira Costa, que em seu projeto de expansão no Nordeste estrategicamente escolheu Aracaju para instalar a nova filial. O governo do Estado comemorou o interesse do grupo em Sergipe e colaborou para a rápida instalação na capital sergipana. O grupo investiu R$ 80 milhões no Home Center, que gerou mais de 400 empregos diretos.

“A gente entendeu que Aracaju é um mercado que tem a maior renda per capita do Nordeste e um nível de cultura muito elevado, maior até que algumas capitais do Nordeste, diversificada em produtos agropecuários, tem uma riqueza natural e é uma cidade que nós entendemos que merecia e estava precisando ter um serviço diferenciado na nossa área de produção. Também está próxima de outras unidades, como Salvador e Garanhuns, facilita logisticamente, mas o nosso investimento aqui é muito alto para ser justificado somente por essa proximidade logística. A cidade tem que ter uma pujança econômica para poder fazer sentido um investimento desse tamanho”, pontuou o diretor comercial Conrado Ferreira da Costa.

Sempre cabe mais um

Para Jeniffer, esse tempo na cidade tem sido ótimo. “Não tenho do que reclamar e a expectativa nossa foi superada, nosso crescimento comercial e pessoal se elevou. Eu não senti falta de São Paulo. Aracaju pra mim teve tudo. E o ponto crucial também foi que quando a gente chegou fomos morar na Atalaia, então essa vida beira-mar ajudou muito a conhecer pessoas, ficar mais tranquilo, ter uma mudança de ares”, relata, acrescentando que além dos quatro membros da família, não há nenhum outro parente na cidade.

Os clientes se tornaram amigos, alguns prestadores de serviços se tornaram amigos íntimos e a faculdade também ajudou a ter um ciclo de amizades. “E foi muito importante a recepção das pessoas assim que a gente chegou, as pessoas acreditaram na gente, até mesmo para locar imóveis, na aceitação dos nossos serviços porque todo mundo sabia que a gente era de foram e a recepção foi muito importante. Nesse tempo, já são dois anos e meio, nos firmamos no mercado, a tendência agora é cada dia ampliar mais, trazer outros serviços e negócios”, conta o empresário Leandro dos Santos.

Pensar em ir embora de Aracaju? “Não pensamos, nem cogitamos. Minha família pede muito para a gente voltar, eles vêm visitar, mas eu não volto. São Paulo agora só para passear”, arremata Jeniffer.

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