Artistas celebram oportunidade de tocar o autêntico pé de serra no Forró Caju em Casa

O triângulo, a sanfona e a zabumba são os principais alicerces do autêntico forró pé de serra. Com esses três instrumentos musicais, é possível identificar, em conjuntos harmônicos, a real identidade nordestina, seja no ritmo do xaxado, xote ou baião. E é justamente este resgate da musicalidade dita como ‘raiz’ que o ‘Forró Caju em Casa’ – projeto capitaneado pela Prefeitura de Aracaju, por meio da Fundação Cultural de Aracaju (Funcaju) – está exibindo em formato de lives, entre os dias 23 e 29 de junho, dentro da categoria “Tradicional”, a qual consta no edital emergencial que visa fomentar e movimentar a cadeia artística aracajuana, uma das mais afetadas pela pandemia da covid-19.

Além da categoria ‘Tradicional’, o Forró Caju em Casa 2020 também tem outras quatro modalidades musicais: ‘Releituras do Mestre Gonzaga‘, ‘Interpretações de Obras Sergipanas‘, ‘Forró Eletrônico’ e ‘Arrocha’, contemplando 45 apresentações artísticas, num investimento total de R$85 mil.

Os shows estão sendo gravados em estúdio, com limitação de cinco integrantes para respeitar todas as normas sanitárias vigentes em virtude da pandemia, e terão duração média entre 30 e 40 minutos. A exibição ocorrerá em formato de ‘live’ (transmissão ao vivo pelas redes sociais), em horários específicos que ocorreriam caso o evento fosse presencial.
Ao todo, o Forró Caju em Casa recebeu 182 inscrições, dos quais 45 artistas foram selecionados. Desses, 21 artistas ou bandas foram selecionados para a categoria “Forró Tradicional”, uma das modalidades mais tocadas e aclamadas pelos nordestinos.

Orgulho
Entre os selecionados na categoria que rememora a tradição musical nordeste está a banda ‘Baião de 3’. O vocalista do grupo, Alex Santana, conta que sente-se orgulhoso por ter sido selecionado para tocar música raiz e não esconde a satisfação em fazer parte de um projeto que visa incentivar a cultura local em meio à pandemia da covid-19.

“Nesse período de incertezas, é importante que os órgãos, seja municipal, estadual ou federal, tomem iniciativas como essas. Acho que não resolve, mas ajuda bastante. Além disso, o projeto mantém viva a tradição da festa, das músicas tradicionais. Este ano, nesse formato de live, é uma coisa nova e as pessoas estão se adaptando por causa da pandemia. O São João é a data mais importante para a cultura nordestina e o fato de comemorar dentro de casa é muito bacana. Fico feliz em participar desse novo formato neste novo momento”, afirma Alex Santana.

Opinião semelhante tem Robson Rodrigues, integrante da banda ‘Os Pé de Cana’. “Escolhemos essa categoria porque é o que a gente mais toca. O projeto é legal para o povo e para os artistas, porque, devido a essa crise sanitária, os artistas foram fortemente impactados. Com o projeto, o mais importe é a recuperação do setor cultural, além do retorno financeiro que nós temos. O povo vai curtir o forró, só que em casa, num novo formato”, diz.

O cantor Marcos Giva está na estrada há 30 anos tocando vários estilos musicais, principalmente o forró. Ele conta que escolheu a modalidade “Forró Tradicional” porque é a que o povo mais gosta de ouvir. “Prometo grandes sucessos de vários grupos, como Flávio José, Dorgival Dantas, Trio Nordestino, Mastruz com Leite, Dominguinhos. Já havia tocados em oito edições do Forró Caju, mas essa será especial, porque visa evitar aglomerações contra a covid-19”, destaca, ao observar que é importante que todos fiquem em casa.

Ainda conforme o cantor, este novo formato de live fará com que o Forró Caju seja visualizado até fora do país. “É um novo momento, mas, por outro lado, fará com que o Forró Caju seja visto por vários países do mundo e seja mais conhecido. No mais, é um grande incentivo à cultura e aos artistas com suas bandas. Essa iniciativa também ajuda as pessoas dos bastidores, muita gente ganha”, conclui.

Confira a programação e os horários das apresentações.

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