Ceratocone é uma ectasia corneana não inflamatória e auto-limitada, caracterizada por um afinamento progressivo da porção central da córnea. À medida que a córnea vai se tornando afinada o paciente percebe uma baixa da acuidade visual, a qual pode ser moderada ou severa, dependendo da quantidade do tecido corneano afetado.
Geralmente, pacientes com ceratocone têm modificações frequentes nas prescrições dos seus óculos em curto perÃodo de tempo e, além disso, os óculos já não fornecem uma correção visual satisfatória.
As refrações são frequentemente variáveis e inconsistentes. Pacientes com ceratocone frequentemente relatam diplopia (visão dupla) ou poliopia (visão de vários objetos) naquele olho afetado, e queixam-se de visão borrada e distorcida tanto para visão de longe quanto para perto.
Alguns referem halos em torno das luzes e fotofobia (sensibilidade anormal à luz). Muitos sinais objetivos estão presentes no ceratocone. Os achados ceratométricos iniciais são ausência de paralelismo e inclinação das miras. Estes achados podem ser facilmente confundidos nos casos de ceratocone incipiente.
A etiologia proposta para o ceratocone inclui mudanças fÃsicas, bioquÃmicas e moleculares no tecido corneano, entretanto nenhuma teoria explica completamente os achados clÃnicos e as associações oculares e não-oculares relacionadas ao ceratocone.
É possÃvel que o ceratocone seja o resultado final de diferentes condições clÃnicas. Já é bem conhecida a associação com doenças hereditárias, doenças atópicas ( alérgicas ), certas doenças sistêmicas, e o uso prolongado de lentes de contato.
1. Correção óptica:
À medida que a doença progride a visão não é mais adequadamente corrigida e requer o uso de lentes de contato rÃgidas para promover o aplanamento corneano e fornecer uma visão satisfatória.
2. Tratamentos cirúrgicos:
Ceratoplastia penetrante: o transplante de córnea é mais comumente realizado.
Ceratoplastia lamelar: a córnea é removida na profundidade do estroma posterior, e um botão de córnea doada é suturado no local.
Excimer laser: recentemente este laser tem sido usado em situações especÃficas com algum sucesso na remoção de placas de córnea central.
Intacs & Anel: este procedimento envolve um implante de um disco plástico entre as camadas da córnea com a finalidade de aplaná-la e trazê-la à sua forma natural.

Ceratocone é uma ectasia corneana não inflamatória e auto-limitada, caracterizada por um afinamento progressivo da porção central da córnea. À medida que a córnea vai se tornando afinada o paciente percebe uma baixa da acuidade visual, a qual pode ser moderada ou severa, dependendo da quantidade do tecido corneano afetado.
Muitas pessoas não percebem que tem ceratocone porque este se inicia insidiosamente como uma miopização e astigmatismo no olho. Esta patologia ocular pode evoluir rapidamente ou em outros casos levar anos para se desenvolver. Esta doença pode afetar severamente nossa forma de perceber o mundo, incluindo tarefas simples como dirigir, assistir TV ou ler um livro.
O ceratocone inicia-se geralmente na adolescência, em média por volta dos 16 anos de idade, embora tenha sido relatado casos de inÃcio aos 6 anos de idade. Raramente o ceratocone desenvolve-se após os 30 anos de idade. O ceratocone afeta homens e mulheres em igual proporção e em 90 % dos casos afeta ambos os olhos. Em geral a doença desenvolve-se assimetricamente: o diagnóstico da doença no segundo olho ocorre cerca de 5 anos após o diagnóstico no primeiro olho. A doença progride ativamente por 5 a 10 anos, e então pode estabilizar-se por muitos anos. Durante o estágio ativo as mudanças podem ser rápidas.
Em um estágio precoce da doença a perda de visão pode ser corrigida pelo uso de óculos; mais tarde o astigmatismo irregular requer correção óptica com o uso de lentes de contato rÃgidas. Lentes de contato rÃgidas promovem uma superfÃcie de refração uniforme e, além disso, melhoram a visão.
O exame oftalmológico deve ser realizado anualmente ou mesmo mais freqüentemente para monitorar a progressão da doença.
Embora muitos pacientes possam continuar lendo e dirigindo, alguns sentirão que a qualidade de vida é adversamente afetada. Cerca de 20 % dos pacientes eventualmente irão necessitar de transplante corneano.
A etiologia proposta para o ceratocone inclui mudanças fÃsicas, bioquÃmicas e moleculares no tecido corneano, entretanto nenhuma teoria explica completamente os achados clÃnicos e as associações oculares e não-oculares relacionadas ao ceratocone.
É possÃvel que o ceratocone seja o resultado final de diferentes condições clÃnicas. Já é bem conhecida a associação com doenças hereditárias, doenças atópicas (alérgicas), certas doenças sistêmicas, e o uso prolongado de lentes de contato.
São encontradas diversas anormalidades bioquÃmicas e moleculares no ceratocone:
Há um processo anormal dos radicais livres e superóxidos no ceratocone;
Há um crescimento desorganizado dos aldeÃdos ou peroxinitritos nestas córneas;
As células que são irreversivelmente danificadas sofrem um processo de apoptose;
As células que são danificadas reversivelmente sofrem um processo de cicatrização ou reparo. Neste processo de reparação, várias enzimas degradativas e fatores reguladores da cicatrização levam a áreas focais de afinamento corneano e fibrose.
Distribuição conforme a faixa etária:
08 a 16 anos: 2,1 %
17 a 27 anos: 25,9 %
27 a 36 anos: 35,6 %
37 a 46 anos: 20,1 %
47 a 56 anos: 11,7 %
57 a 66 anos: 3,0 %
67 a 76 anos: 1,5 %
Distribuição conforme o sexo:
Feminino: 38 %
Masculino: 62 %
Classificação quanto ao tipo do cone:
Oval: 60 %
Pequeno monte: 40 %
Globoso: menos de 1 %
Fonte: Nova Contact Lenses
Incidência na população geral: varia de 0,05 % a 0,5 %
Córnea normal

Ceratocone precoce

Ceratocone avançado
A identificação de um ceratocone moderado ou avançado é razoavelmente fácil. Entretanto, o diagnóstico de ceratocone em suas fases iniciais torna-se mais difÃcil, requerendo uma cuidadosa história clÃnica, medidas da acuidade visual e refração, e ainda exames complementares realizados por instrumentação especializada. Geralmente, pacientes com ceratocone têm modificações frequentes nas prescrições dos seus óculos em curto perÃodo de tempo e, além disso, os óculos já não fornecem uma correção visual satisfatória. As refrações são frequentemente variáveis e inconsistentes.
Pacientes com ceratocone frequentemente relatam diplopia (visão dupla) ou poliopia (visão de vários objetos) naquele olho afetado, e queixam-se de visão borrada e distorcida tanto para visão de longe quanto para perto. Alguns referem halos em torno das luzes e fotofobia (sensibilidade anormal à luz).
Muitos sinais objetivos estão presentes no ceratocone. A retinoscopia mostra reflexo “em tesoura”. Com o uso do oftalmoscópio direto percebe-se um sombreamento. O ceratômetro também auxilia no diagnóstico. Os achados ceratométricos iniciais são ausência de paralelismo e inclinação das miras. Estes achados podem ser facilmente confundidos nos casos de ceratocone incipiente.
A redução da acuidade visual em um olho, devido à doença assimétrica no outro olho, pode ser um indÃcio precoce de ceratocone. Este sinal é freqüentemente associado com astigmatismo oblÃquo.
A topografia corneana computadorizada ou fotoceratoscopia pode fornecer um exame mais acurado da córnea e mostrar irregularidades de qualquer área da córnea. O ceratocone pode resultar em um mapa corneano extremamente complexo e irregular, tipicamente mostrando áreas de irregularidades inferiormente em forma de cone, o qual pode assumir diferentes formas e tamanhos.
O diagnóstico de ceratocone também pode ser feito através do biomicroscópio ou lâmpada de fenda.
Através deste instrumento o médico poderá observar muitos dos sinais clássicos do ceratocone:
Anéis de Fleischer: anel de coloração amarelo-amarronzada a verde-oliva, composto de hemossiderina depositada profundamente no epitélio circundando a base do cone.
Linhas de Vogt: são pequenas estrias semelhantes a cerdas de pincel, geralmente verticais embora possam ser oblÃquas, localizadas na profundidade do estroma corneano.
Afinamento corneano: um dos critérios propostos para o diagnóstico de ceratocone é o afinamento corneano significante maior que 1/5 da espessura da córnea. À medida que a doença progride o cone é deslocado inferiormente. O ápice do cone é geralmente a área mais afinada.
Cicatrizes corneanas: geralmente não são vistas precocemente, porém com a progressão da doença ocorre ruptura da membrana de Bowman, a qual separa o epitélio do estroma corneano. Opacidades profundas da córnea não são incomuns no ceratocone.
Manchas em redemoinho: podem ocorrer naqueles pacientes que nunca tenham usado lentes de contato.

Hidropsia: ocorre geralmente nos casos avançados, quando há ruptura da membrana de Descemet e o humor aquoso flui para dentro da córnea tornando-a edemaciada. Quando isso ocorre o paciente relata perda visual aguda e nota-se um ponto esbranquiçado na córnea. Hidropsia causa edema e opacificação.
Caso a membrana de Descemet se regenere, o edema e a opacificação diminuem. Pacientes com sÃndrome de Down têm maior incidência de hidropsia. Os atos de coçar e friccionar os olhos devem ser evitados nestes pacientes.
Sinal de Munson: este sinal ocorre no ceratocone avançado quando a córnea protui o suficiente para angular a pálpebra inferior quando o paciente olha para baixo.
Reflexo luminoso de Ruzutti: um reflexo luminoso projetado do lado temporal será deslocado além do sulco limbar nasal quando um alto astigmatismo e córnea cônica estão presentes.
Pressão Intra-ocular reduzida: uma baixa pressão intra-ocular geralmente é encontrada como resultado do afinamento corneano e/ou redução da rigidez escleral.
O ceratocone pode ser classificado conforme sua curvatura ou de acordo com a forma do cone:
Baseado na severidade da curvatura:
Discreto: < 45 dioptrias em ambos os meridianos.
Moderado: entre 45 a 52 dioptrias em ambos os meridianos.
Avançado: > 52 dioptrias em ambos os meridianos.
Severo: > 62 dioptrias em ambos os meridianos.
Baseado na forma do cone:
Pequeno monte: forma arredondada, com diâmetro pequeno em torno de 5 mm.
Oval: geralmente deslocado inferiormente, com diâmetro > 5 mm. É o tipo mais comumente encontrado no exame de topografia corneana.
Globoso: quando 75 % da córnea está afetada, possui diâmetro maior que 6 mm. É também chamado ceratoglobo, e é o tipo mais difÃcil para se adaptar lentes de contato.
O tratamento do ceratocone depende da severidade da condição.
1. Correção óptica
Inicialmente, os óculos corrigem satisfatoriamente a miopia e astigmatismo.
Entretanto, à medida que a doença progride a visão não é mais adequadamente corrigida e requer o uso de lentes de contato rÃgidas para promover o aplanamento corneano e fornecer uma visão satisfatória.
Tardiamente, quando as lentes de contato não fornecem boa visão ou há intolerância ao uso das lentes de contato, está indicado o transplante de córnea.
2. Tratamentos cirúrgicos
Vários tipos de tratamentos cirúrgicos têm sido propostos para casos de ceratocone:
Ceratoplastia penetrante: o transplante de córnea é o tratamento mais comumente realizado. Neste procedimento, a córnea com ceratocone é removida e então a córnea do doador é recolocada e suturada no receptor.
Lentes de contato são geralmente necessárias para fornecer uma melhor acuidade visual.
Ceratoplastia lamelar: a córnea é removida na profundidade do estroma posterior, e um botão de córnea doada é suturado no local. Tal técnica é mais difÃcil de ser executada e a acuidade visual é inferior à quela obtida com a ceratoplastia penetrante. As desvantagens da técnica incluem vascularização e embaçamento do enxerto.
Excimer laser: recentemente este laser tem sido usado em situações especÃficas com algum sucesso na remoção de placas de córnea central.
Contudo o LASIK é ainda um procedimento experimental e não está claro se é apropriado para o tratamento do ceratocone.
Intacs ou Anel: este novo procedimento, recentemente aprovado pelo FDA (Food and Drugs Administration), envolve um implante de um disco plástico entre as camadas da córnea com a finalidade de aplaná-la e trazê-la à sua forma natural.
Todavia os Intacs têm sido utilizados somente nos casos de discreta baixa acuidade visual para perto. Diferentemente dos transplantes, os Intacs corrigem imediatamente a baixa visual do paciente com ceratocone.
Outros benefÃcios incluem o rápido retorno à s atividades cotidianas em poucos dias e uma visão mais natural em relação à quela fornecida pelo transplante de córnea. Os Intacs são desenhados para permanecerem no olho, embora possam ser retirados, caso seja necessário.
O candidato ideal ao procedimento com Intac é aquele incapaz de usar óculos ou lentes de contato, e com poucas alterações corneanas.
Fonte:Â www.drqueirozneto.com.br