Obs: A CTTE pode ou não estar associada com contração dos músculos pericranianos ao exame fÃsico ou eletromiográfico. Critérios diagnósticos de cefaléia do tipo tensional crônica: (cód: 2.3 da SIC)
Obs: A CTTC pode ou não estar associada ao uso excessivo de medicações analgésicas. Além disso, pode ou não estar associada com contração dos músculos pericranianos ao exame fÃsico ou eletromiográfico. Diagnóstico Diferencial No que diz respeito ao diagnóstico diferencial o mais difÃcil é entre a migrânea sem aura e a cefaléia do tipo tensional episódica. Com relação à localização, na migrânea predominam as dores unilaterais, porém localizadas, mais freqüentemente nas regiões frontal ou frontotemporal ou apresentando distribuição hemicraniana. Num número substancial de pacientes a dor é localizada bilateral predominando, também, a topografia frontal ou frontotemporal bilateral. Pode ser ainda holocraniana. Na cefaléia do tipo tensional há uma predominância absoluta de dores bilaterais localizadas ou difusas, mas em pequeno número de pacientes podemos evidenciar dores unilaterais. As diferenças essenciais entre a cefaléia do tipo tensional crônica e a migrânea são a ausência de uma história prévia de migrânea episódica e a ausência de exacerbações bem definidas com caracterÃsticas migranosas como unilateralidade predominante, qualidade pulsátil da dor, náusea intensa e vômitos. Fisiopatologia Uma única etiologia e uma única fisiopatogenia não podem explicar a cefaléia do tipo tensional, que é complexa, envolvendo diversos fatores e vários aspectos dos mecanismos geradores da dor. Predisposição genética Devido a enorme prevalência e variabilidade na freqüência e intensidade da cefaléia do tipo tensional nenhuma predisposição genética pode ser referida. Recentemente foi sugerido existir predisposição para o aparecimento da forma crônica. Até o presente, a grande maioria da população, talvez todos, tem potencial para desenvolver a cefaléia do tipo tensional se expostos a fatores desencadeantes. Fatores desencadeantes A associação entre cefaléia do tipo tensional e ansiedade e/ou depressão é sugerida por diversos trabalhos. Alterações emocionais, estresse psicossocial, tensão, ansiedade e depressão, são encontrados com freqüência nos pacientes que procuram o médico devido ao agravamento da cefaléia. Mecanismos periféricos e centrais Um episódio de cefaléia do tipo tensional episódica pode acontecer em qualquer indivÃduo normal. Então, o episódio doloroso pode ser deflagrado por mecanismos normais de nocicepção. Existe a possibilidade de ocorrer por sensibilização dos nociceptores periféricos situados nos músculos pericranianos ou de neurônios de segunda ordem na medula ou supra-espinhais. Ou ainda, ocorrer por diminuição dos mecanismos antinociceptivos centrais, com diminuição do limiar da dor. Em circunstâncias normais, a cefaléia do tipo tensional seria favorecida por ativação inadequada das vias controladoras da dor, possivelmente devido à ansiedade, estresse e distúrbios emocionais. Além disso, existe um complexo mecanismo de sensibilização de neurônios centrais envolvendo interneurônios do tronco cerebral, sistema lÃmbico e sistema trigeminal. Wolff, foi o primeiro a levantar a hipótese de que uma contratura muscular regional reacional a um estÃmulo nocivo poderia ser fator gerador de dor. Discute-se hoje este possÃvel mecanismo por ser pouco provável que a contração contÃnua ou intermitente dos músculos da nuca e do escalpo, seja por si só fator causal de dor. Posteriormente estudos eletromiográficos apresentaram argumentos que se opõem a este mecanismo fisiopatogênico. Alguns trabalhos evidenciaram maior tensão muscular em casos de migrânea do que em pacientes com cefaléia do tipo tensional, outros não evidenciaram diferenças significativas na amplitude dos eletromiogramas de músculos do escalpe e do pescoço entre pacientes com cefaléia do tipo tensional e pacientes sem cefaléia. Apoiados nesses resultados sugeriam que a contração muscular seria conseqüência e não a causa de cefaléia. Atualmente acredita-se que cefaléia seja causada por alterações da bioquÃmica cerebral e não como se pensava anteriormente enfatizando a presença de contração de músculos pericranianos,ou mesmo pela coexistência de ambos. No entanto as dúvidas persistem e na atual classificação das cefaléias da SIC (1998) existem subgrupos com e sem associação com contração dos músculos pericranianos ao exame fÃsico ou eletromiográfico. Alterações BioquÃmicas A serotonina que tem papel importante na migrânea, foi demonstrada diminuÃda nas plaquetas de pacientes com cefaléia do tipo tensional. Outro parâmetro que também parece alterado é velocidade de captação da serotonina pelas plaquetas. A concentração plasmática de serotonina pode estar aumentada ou normal nos perÃodos de dor ou nos perÃodos intercrÃticos. Não há definição do papel da serotonina nos mecanismos geradores da cefaléia do tipo tensional. Endorfinas, catecolaminas e aminoácidos neurotransmissores (como o glutamato, aspartato e glicina) assim como os peptÃdeos (substância P, peptÃdeo vasointestinal e o neuropeptÃdeo Y) também estão sendo estudados nesta cefaléia, porém parecem não alterados. O GABA (ácido gama aminobutÃrico), um neurotransmissor inibitório, está elevado nos pacientes com cefaléia do tipo tensional. Esse aumento é maior do que a encontrado nos pacientes com migrânea. Isso sugere uma hiperexcitabilidade neuronal sendo controlada por esse neurotransmissor. Alguns trabalhos sugerem o envolvimento do óxido nÃtrico (NO) na cefaléia do tipo tensional crônica. Tratamento O tratamento para a forma episódica são os analgésicos comuns ou os antiinflamatórios não hormonais. Para a forma crônica é utilizado habitualmente a amytriptilina na dosagem de 25mg a 75mg/dia em uma única tomada preferencialmente à noite.Neste último caso se o paciente estiver fazendo uso excessivo de medicamentos sintomáticos, é de fundamental importância orientar o enfermo suprimi-los para que o tratamento profilático seja efetivo. Referências Bibliográficas: Headache Classification Subcommittee of the IHS.The international Classification of Headache Disorders, 2nd Edition.. Cephalalgia 2004;24 Suppl 1:1-160. Farias Da Silva,W. Cefaléias: diagnóstico e tratamento.Ed Médica e CientÃfica, 1aed, Rio de Janeiro,276p.1989. Lance J, Goadsby PJ. Tension-type headache. 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