Empresários contribuem com iniciativas da Prefeitura para o enfrentamento à covid-19

Desde o final do mês de fevereiro, quando Aracaju tinha somente casos suspeitos do novo coronavírus (covid-19), a Prefeitura Municipal já estava amplamente mobilizada para tomar as primeiras medidas, no sentido de evitar com que a doença de proliferasse. Atualmente, já são seis os casos confirmados em Sergipe, cinco deles na capital, o que demandou ações mais enérgicas do poder público, como o decreto publicado nesta quarta-feira (19), que, entre outros pontos, suspendeu, por 15 dias, as atividades coletivas em cinemas, teatros, academias, clubes, boates, casas de shows, entre outros estabelecimentos de mesmo perfil. 
A medida de contenção objetiva, além de conscientizar e proteger a população, seguir as orientações de países que já passaram pela mesma fase vivida, atualmente, no Brasil, como a China, onde foi registrado o primeiro caso de coronavírus no mundo, ou seja, quanto mais cedo evitar o contato com outras pessoas, melhor será para evitar a transmissão do vírus.
Portanto, como ressaltou a infectologista da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), Fabrízia Tavares, a recomendação é o isolamento domiciliar e distanciamento social. 
“Quanto mais contato social tivermos, nesse momento, maior o risco de transmissão. Aracaju ainda está na fase de transmissão local, ou seja, ainda fazemos vínculo epidemiológico com os casos confirmados, quando a gente sabe qual é o histórico. Ainda assim, temos que ser incisivos. A questão de evitar locais públicos, de maior convívio social ou de aglomeração, é crucial”, salienta a infectologista. 
Proprietário de um centro de treinamento funcional que atende em média 150 alunos, em turmas divididas, Breno Fonseca relatou que, antes mesmo do decreto, a suspensão das atividades já era algo pensado por ele e demais profissionais da academia. “Não nos encaixamos no perfil de aglomeração porque nossas turmas têm, no máximo, oito pessoas e três professores, mas, temos alunos que viajaram recentemente ou são da área da saúde, então, achamos melhor suspender as atividades para evitar a circulação de pessoas”, explicou.
Para o profissional de Educação Física, toda atitude preventiva tomada o quanto antes é a melhor opção. “Nosso trabalho é promover saúde, então, essa é a atitude mais prudente. Quanto mais a gente se isolar e evitar contato com pessoas, será melhor para que a doença não se propague. Conversamos com os profissionais e informamos aos alunos, que receberam a informação da melhor maneira possível. Com isso, tivemos a ideia de realizar aulas online para que as pessoas possam continuar se cuidando de casa. Divulgaremos uma aula a cada dois dias e os alunos aprovaram. Estamos juntos, profissionais e alunos, engajados em promover o que for de melhor para o bem de todos”, afirmou Breno. 
O empresário e sócio de um bar, que também funciona como casa de show, Ricardo Araújo, frisou que cancelaram alguns eventos que estavam previstos, logo depois que o primeiro caso de coronavírus foi registrado, em Aracaju. “Suspendemos o funcionamento da casa, até mesmo o bar porque tomamos consciência de que é uma situação muito grave e, tudo o que pudermos fazer para evitar a propagação dentro e fora do nosso espaço, faremos e já estamos fazendo”, relatou o empresário. 
Ricardo destacou, ainda, que sabe das consequências financeiras, mas, o momento pede medidas mais urgentes. “Dependemos do funcionamento do bar e já estamos, de alguma forma, sentindo o impacto, mas, no momento, sabemos que teremos que ‘sangrar’ para tentar amenizar a situação. Estamos mantendo contato com fornecedores, com o proprietário da casa, que é alugada, para segurar o que for possível porque trabalhamos da maneira certa. Infelizmente, existe um fenômeno acontecendo e estamos fazendo a nossa parte para colaborar. Dispensamos todos os funcionários e, acredito, o poder público, especificamente a Prefeitura tem feito um bom trabalho, no sentido de tomar medidas e conscientizar a população. Estamos procurando alternativas criativas para nos manter ativos, de alguma maneira, e vamos seguir na esperança de que possamos estar melhor, em breve”, ressaltou. 
Responsável por uma casa de show que atrai grande público aos finais de semana, Ítalo Marcos destacou que foi um dos primeiros a suspender as atividades, mesmo antes do decreto. “Num momento como esse, não dá para ultrapassar as recomendações, temos que seguir aquilo que é certo e o quanto antes. Vimos, em outros países, o que aconteceu por não seguirem algumas condutas e estamos fazendo a nossa parte para que uma situação pior não aconteça por aqui. É claro que iremos sofrer prejuízos financeiros, mas, antes isso do que uma tragédia. Se nos cuidarmos, todos, poderemos correr atrás do prejuízo depois. Ainda vejo alguns estabelecimentos sem cumprir as medidas e muitas pessoas ainda não estão dando a devida atenção ao caso, mas é preciso estar atento, e é preciso mudar hábitos de agora e não esperar que algo pior aconteça para tomar uma atitude. Prevenir, hoje, é pensar em todos”, salientou. 

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