Advogado de Battisti comemora decisão de Lula e reafirma inocência de ex-ativista italiano Brasil em 31/12/2010 12:19h por Bareta | Comente


Débora Zampier

Repórter da Agência Brasil

Brasília – O advogado de Cesare Battisti, Luís Roberto Barroso, comemorou hoje (31) a decisão do governo brasileiro de não extraditar o ex-ativista italiano . “Fico feliz, em primeiro lugar, pelo Brasil, que manteve sua tradição humanista e sua altivez diante de pressões feitas em tom inapropriado pelo governo italiano”, afirmou o advogado, que está fora do país em compromisso acadêmico.

Barroso também afirma que a decisão é justa porque Battisti é inocente dos homicídios “que os verdadeiros culpados transferiram a ele, em um segundo julgamento. Arrependidos e delatores premiados, alguns já condenados, que colocaram todas as culpas no companheiro ausente”.

O advogado ainda elogia o posicionamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “A decisão do presidente da República foi exemplar na observância dos parâmetros estabelecidos pelo Supremo Tribunal Federal para sua atuação, inclusive e notadamente quanto ao respeito pelo tratado de extradição celebrado entre Brasil e Itália”.

No comunicado, Barroso manifesta seu “respeito e compreensão” em relação a quem discorda da decisão de Lula. “Só aceitei a causa após ler os muitos volumes do processo e que ao final da leitura não tive a menor dúvida de qual lado era o que gostaria de estar. Minha posição se baseia em fatos, provas e teses jurídicas consolidadas. A ideologia não é uma boa companheira para a justiça”, finaliza.

Em comunicado enviado à imprensa ontem, Barroso afirmava já esperar que a decisão política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva seria pela manutenção de Battisti no Brasil. Em favor desse posicionamento, Barroso afirmou haver “inúmeros fundamentos jurídicos — além dos de natureza política e humanitária — que podem ser utilizados válida e legitimamente”.

Ele também lembrou que a própria decisão do STF ressalvou a prerrogativa de o presidente decidir e que a decisão de “será insuscetível de reapreciação judicial, como decidido pela maioria dos Ministros do STF”.

Barroso também entende que a decisão de não entrega é autoexecutável e que o alvará de soltura pode ser expedido pelo próprio Ministério da Justiça. “De todo modo, ainda que se entenda ser necessária a expedição de alvará de soltura pelo STF, tratar-se-á de um ato formal de execução da decisão do Presidente da República”, disse Barroso.

Edição: Talita Cavalcante

Veja Também:

  1. Battisti passou a véspera do julgamento apreensivo, mas tentanto manter serenidade
  2. Extradição de Battisti fica para depois do Natal
  3. Procurador-geral da República defende manutenção da decisão de Lula no caso Battisti
  4. Advogado da Itália pede que STF impugne pedido de soltura de Battisti
  5. Battisti recebe documentos que permitem morar e trabalhar no Brasil

Nenhum comentário ainda.

Feed RSS para comentários sobre este post.

Comente

Responda, quanto é:

[ 1 + 8 ] =